Encontro reune secretários municipais de saúde de cidades do Cone Sul
Membros do Comitê Estadual de Combate ao mosquito Aedes Aegypti se reuniram em Vilhena nesta terça-feira, 29, com os secretários municipais de Saúde dos sete municípios do Cone sul para traçar metas de conscientização da população e combate ao inseto transmissor da Dengue, febre Chikungunya e Zika Virus.
Pela manhã, a equipe concedeu uma entrevista coletiva na sede do Corpo de Bombeiros, no centro de Vilhena, e declarou que o Estado está empenhado no combate ao mosquito, e dará aos 52 municípios o apoio para manter a ameaça sob controle. “Mas, a população precisa fazer sua parte, mantendo os quintais limpos, calhas revisadas, caixas d’água tampadas, e cobrando do vizinho a mesma atitude, porque um único foco afeta um quarteirão inteiro”, disse Arlete Baldez, diretora da Agência Estadual de Vigilância Sanitária (Agevisa).
De acordo com a diretora da Agência, o Governo do Estado enviará, nos primeiros dias de 2016, quatro veículos equipados com o UBV pesado para o combate ao mosquito. Segundo Baldez, este equipamento é mais eficaz que o usado anteriormente, pois lança partículas pequenas que ficam suspensas no ar e atingem o mosquito em vôo.
Apesar da cidade de Vilhena ter confirmado recentemente um caso da febre Zika, o Coronel Rodrigues, comandante geral do Corpo de Bombeiros de Rondônia, negou que a ação seja por causa do episódio específico. “Escolhemos Vilhena por causa do IDH que o município apresenta e pelo poder de mobilização que a população tem”, disse o militar.
Rodrigues pediu a colaboração da imprensa no tocante à conscientização da população e fez coro com a diretora da Agevisa, que afirmou que sem a ação direta da comunidade, o combate ao mosquito é tarefa quase impossível. “O cidadão tem a obrigação de zelar pela sua residência”, disse o comandante.
A meta do Comitê é visitar, no menor espaço temporal possível, as cerca de 40 mil residências vilhenenses. De acordo com os números apontados pelo órgão, Vilhena apresenta um índice de infestação 2,7%. No Cone Sul, os municípios de Colorado e Pimenteiras apresentam os piores índices de infestação, estão entre 4 e 7%.
Embora a febre Zika seja considerada mais branda que a Dengue, a preocupação se justifica pela confirmação do Ministério da Saúde da relação entre a doença e casos de fetos com a microcefalia, uma malformação neurológica pela qual o tamanho da cabeça do feto ou da criança é menor do que o esperado para a idade.
DIAGNÓSTICO
O diagnóstico de certeza da febre Zika é feito através de um exame de sangue chamado sorologia para o Zika vírus. A sorologia consiste na pesquisa de anticorpos específicos contra o vírus Zika. A lógica por trás desse exame é a seguinte: só terão anticorpos contra o vírus Zika as pessoas que já foram contaminadas pelo mesmo.
DISTINÇÃO
A distinção entre a febre Zika, a febre Chikungunya e casos mais brandos de dengue apenas pelos sinais e sintomas é muito difícil de ser feita. Para tal, são necessários exames laboratoriais.
SINTOMAS DA FEBRE ZIKA
Dentre aqueles que desenvolvem sintomas, o quadro costuma ser de febre baixa (por volta de 38-38,5ºC), dor de cabeça, dor muscular, dor nas articulações, principalmente as pequenas, como dedos das mãos e dos pés, conjuntivite, dor nos olhos, fotofobia, coceira na pele e rash (erupções avermelhadas na pele).
São sintomas menos comuns, mas também possíveis: dor abdominal, diarreia, prisão de ventre, aftas, tontura ou perda do apetite.
COMPLICAÇÕES
Assim como ocorre em outras viroses, uma das complicações possíveis da febre Zika é o desenvolvimento da síndrome de Guillain-Barré (SGB), uma complicação de origem neurológica que causa progressiva e temporária perda de força muscular.
MICROCEFALIA
Aparentemente, o risco de microcefalia é maior se a gestante contrair a febre Zika nos primeiros três meses de gravidez, que é o momento em que o feto está sendo formado. O risco parece existir também, porém em menor grau, quando a virose é adquirida no 2º trimestre de gestação. A partir do 3º trimestre, o risco de microcefalia é baixo, pois o feto já está completamente formado.