Mais um cirurgião plástico de Mato Grosso, para onde muitos rondonienses (principalmente mulheres) viajam para fazer tratamentos estéticos, está sendo investigado, acusado de mutilar pacientes.
No início deste ano, o FOLHA DO SUL ON LINE publicou o caso do médico e ex-BBB Marcos Harter, que recebeu uma punição do Conselho Federal de Medicina por infrações ao Código de Ética Médica ligadas ao atendimento de pacientes e à responsabilidade profissional. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União. (LEMBRE AQUI)
Agora, outro profissional é alvo de uma sindicância instaurada pelo Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT): o cirurgião Lucas Danillo Moreira de Jesus também foi indiciado pela Polícia Civil do Estado vizinho, por suspeitas de lesão corporal gravíssima e falsidade ideológica, após denúncias de complicações e sequelas permanentes em pacientes submetidas a cirurgias estéticas
O procedimento administrativo foi aberto após o conselho receber o inquérito policial concluído em Barra do Garças, cidade de Mato Grosso a 515 km de Cuiabá.
Em nota, o CRM-MT confirmou a abertura da sindicância e informou que o caso tramita sob sigilo, conforme as regras do Código de Processo Ético-Profissional. O órgão ressaltou que serão assegurados ao médico o contraditório e a ampla defesa e que a apuração é independente da investigação policial.
A investigação policial começou após quatro pacientes relatarem deformidades e complicações decorrentes de procedimentos como mastopexia, mamoplastia redutora, lipoaspiração e implantes mamários, realizados principalmente em 2023.
Laudos da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) apontaram alterações permanentes e comprometimento funcional nas mamas e nos mamilos de duas pacientes.
Em um dos casos, a paciente apresentou necrose nas aréolas e complicações graves de cicatrização após passar por duas cirurgias. Nos outros dois casos submetidos à análise pericial, os exames não identificaram lesão corporal conforme os critérios técnicos utilizados.
Além das suspeitas relacionadas aos procedimentos cirúrgicos, a Polícia Civil indiciou o médico por falsidade ideológica devido a suspeitas de omissão de informações em prontuário médico. Segundo o relatório policial, uma prótese de silicone teria se rompido durante um procedimento de remoção, mas o fato não foi registrado no relatório cirúrgico correspondente.
Os laudos periciais, contudo, não estabeleceram relação causal direta entre a ruptura do implante e as dores contínuas relatadas pela paciente. Ainda assim, a autoridade policial identificou indícios de possível omissão de informação em documento médico.
Durante interrogatório, Lucas Danillo negou ter agido com negligência, imprudência ou imperícia. A defesa sustentou que as complicações decorreram de fatores inerentes aos procedimentos cirúrgicos, ao processo de cicatrização e às características biológicas de cada paciente. O médico também afirmou ter oferecido acompanhamento pós-operatório e se colocado à disposição para realizar procedimentos reparadores.
O inquérito policial foi concluído e encaminhado ao Poder Judiciário para análise e eventuais providências. A sindicância do CRM-MT deverá avaliar a conduta profissional no âmbito ético-disciplinar. O conselho também se colocou à disposição da Polícia Civil e do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) para colaborar com os esclarecimentos.
NOTA OFICIAL CRM-MT
O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) vem a público manifestar-se a respeito das recentes informações divulgadas sobre a conclusão de um inquérito da Polícia Civil, conduzido em Barra do Garças, que resultou no indiciamento de um médico por suspeita de lesão corporal gravíssima e falsidade ideológica durante procedimentos de cirurgia plástica.
Ao tomar conhecimento formal das investigações, que apontam complicações pós-operatórias, sequelas estéticas permanentes e supostas omissões em prontuários médicos, o CRM-MT determinou a instauração imediata de uma sindicância interna.
O procedimento administrativo tem como objetivo apurar rigorosamente todos os fatos narrados, bem como confirmar oficialmente a identidade do profissional indiciado, respeitando o devido processo legal e o direito à ampla defesa. O CRM-MT esclarece que, por determinação legal e em conformidade com o Código de Processo Ético-Profissional, a sindicância e os processos disciplinares tramitam sob estrito sigilo.
O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso reafirma seu compromisso inegociável com a segurança da população, a qualidade da assistência à saúde e a fiscalização ética do exercício da medicina. Destacamos, ainda, que o Conselho atua de forma independente, mas colaborativa, permanecendo à disposição das autoridades competentes, como a Polícia Civil e o Ministério Público do Estado de Mato Grosso, para auxiliar no que for necessário ao longo do processo investigativo.