Rafael Perin se mostrou chateado com comentários feitos por “leigos”
O arquiteto Rafael Perin, responsável pelo projeto do novo templo da Igreja Nossa Senhora Aparecida, em Vilhena, veio à redação do FOLHA DO SUL ON LINE na tarde desta quarta-feira, 20, para dar respostas a algumas pessoa que, segundo ele, sem o menor conhecimento, estão fazendo comentários indevidos e até críticas sob seu trabalho. Entenda aqui.
De acordo com o profissional, após copiar imagens do projeto, postadas por ele em seu perfil no Facebook, em outubro do ano passado, os autores dos comentários, tentando “apenas criar polêmica para se autopromover”, estariam colocando em dúvida sua capacidade técnica.
Formado pela Unisinos, do Rio Grande do Sul, universidade fundada por padres Jesuítas, Perin disse que estudou bastante sobre a arquitetura religiosa. E, antes de apresentar o projeto à comunidade católica de Vilhena, também leu bastante sobre o tema. O bispo de Ji-Paraná, a quem também foram apresentadas as idéias, aprovou o trabalho.
O arquiteto, que não está cobrando nada pelo serviço, se disse chateado com as manifestações de algumas pessoas, e explicou que não destruiu nenhuma “arte sacra”, argumentando que, apenas, incluiu traços modernos na construção.
“Chamar um templo como o que havia antes de arte sacra é demonstrar completa ignorância sobre o barroco mineiro e as obras de Aleijadinho. Aquilo, sim, era arte sacra”, desabafou.
Entre os problemas do prédio parcialmente demolido, Rafael aponta duas situações: além das infiltrações que iriam comprometer a estrutura da construção, havia também um problema em relação ao conceito arquitetônico de igreja. “Um templo religioso, tecnicamente e historicamente, por questão de hierarquia, não pode ter um número par de portas de entrada. Por exemplo, uma noiva escolheria o lado direito ou o esquerdo para entrar? Deve haver uma porta central e outras secundárias”.
Perin lembra, ao assinar o projeto da construção de uma gruta em outra igreja de Vilhena, a Igreja Nossa Senhora Auxiliadora, fez questão de manter a memória histórica do local. Ele reutilizou as pedras usadas para erguer a gruta anterior. “Eu tenho respeito quanto à História de um povo”.
Em relação a uma afirmação lida por ele nas redes sociais, comparando o novo templo a uma “mansão de luxo”, o profissional esclarece: “A idéia que se tem hoje de igreja leva em conta as técnicas e materiais dos séculos passados. Hoje, vivemos outra realidade e outras possibilidades arquitetônicas”.
Quanto a outro equívoco dos “críticos leigos”, o arquiteto esclareceu que o templo que está projetando é moderno e não luxuoso. “Aprendi com um padre que foi meu professor no curso de arquitetura, que se Cristo evangelizava embaixo de uma árvore, nós não temos a mesma capacidade. A igreja que estou projetando é a ‘Casa do Senhor’ e merece, portanto, todo o cuidado. Os vilhenenses podem ficar tranqüilos, porque estudei para isso e sei o que estou fazendo”, finalizou.
Autor:
Da redação
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 20 de Fevereiro de 2019, às 15:56