“Não sei mais o que fazer. Vão esperar as minhas filhas morrerem também?”
Mãe de quatro crianças com microcefalia, a dona-de-casa Josemara Ramos Alves já teve seu drama relatado em reportagens do FOLHA DO SUL ON LINE. Num delas, a vilhenense foi excluída dos inscritos para receber uma casa popular, mas acabou sendo contemplada com o imóvel por determinação da justiça.
Atualmente, a jovem de 28 anos vive outra situação igualmente trágica: tenta receber do INSS em Vilhena o valor de Benefícios de Prestação Continua (BPCs) já autorizados judicialmente. Mesmo com a ordem da Justiça Federal para que o órgão pague o débito às crianças, ela não consegue colocar a mão no dinheiro.
Em agosto do ano passado, em entrevista ao site, logo após a perda de dois dos filhos doentes (lembre aqui), Josemara se queixou da morosidade do INSS em conceder o BPC para que ela pudesse cuidar dos outros. Meses depois, já em dezembro, ela procurou a Vara Federal, que ao analisar o caso, deu dez dias para que a entidade previdenciária liberasse os benefícios. Leia aqui a sentença na íntegra.
O magistrado que analisou o pedido determinou que três dos pequenos vítimas de microcefalia passassem a ser auxiliados, já que apenas a irmã deles, com a mesma doença, recebia a “pensão”. Dois dos beneficiários já estavam mortos, mas o juiz decretou que o INSS pague o BBC da data da ação até o falecimento deles.
Desde então, a dona-de-casa peregrina de repartição em repartição, pedindo que lhe paguem, pois pretende usar o dinheiro para tentar manter vivas as duas meninas sobreviventes. “No INSS eles falam que não chegou nada e eu não sei mais o que fazer. Vão esperar as minhas filhas morrerem também?”, questiona.
Autor:
Da redação
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 14 de Março de 2019, às 10:11