A DETERMINAÇÃO DE UM CAVALO
*Luciano Breder
Aquele fazendeiro fora avisado de que um cavalo de sua propriedade havia caído num buraco profundo, enquanto pastava, naquela manhã.
Chamando alguns dos peões da fazenda, lá se foi ele para o local do acidente, a fim de salvar o animal.
Após muitas horas de trabalho inútil, depois de tentar de todas as maneiras o resgate, cansado e vendo que não havia como tirar o bicho do buraco, o fazendeiro disse a um dos empregados:
- Deixa esse animal aí onde está. Nós não vamos conseguir tirá-lo. Jogue terra em cima dele. É melhor que morra!
- Mas assim, patrão? Enterrar o coitado, vivo?
- Sim, não vamos perder mais tempo. Faça o que estou mandando!
Obedientemente, o empregado, quem sabe olhando penalizado para o animal lá embaixo justificou-se, “dizendo” ao cavalo: “É, o patrão que está mandando...”
E a terra começou a cair sobre o cavalo que, de todas as formas, tentava se livrar dela. Quanto mais terra era despejada, mais esforço o animal fazia para não ser soterrado. Quanto mais a terra ia se acomodando sob o quadrúpede, mais ele ia subindo. Quando, finalmente, a terra cobriu o buraco até à superfície, foi só o cavalo sair andando e “ganhar o mundo”.
O empregado, então, foi avisar o patrão: “O seu cavalo está lá no pasto, salvo e tranqüilo”.
- Mas você não o enterrou? Não foi o que lhe mandei fazer? Como você conseguiu tirá-lo de lá?
- Sim, mas o cavalo não quis morrer de jeito nenhum! Ele mesmo se salvou!
Aquele era um cavalo determinado, cheio de garra, que não aceitava imposições; ele sabia o que queria. Ser vítima de soterramento? Nunca! “Nem morto”!
Meu querido, não se ofenda de eu perguntar: será que você e eu não temos que aprender sobre “determinação” com aquele cavalo? Aprender com um cavalo? Sim, e eu me incluo, porque não sou burro... Aprendemos com os bichos, sim.
É da experiência de todos nós que é nos momentos de maior luta que experimentamos as maiores vitórias; é quando parece que não temos mais forças, que nos admiramos com a nossa superação. Lá nas Minas Gerais, nos tempos dos carros de boi, quando pequeno, ouvia sempre dos meus pais este ditado: “Carro apertado é que canta!”
Todos nós vivemos momentos difíceis, trabalhosos, de lutas tremendas, de muita provação. Às vezes, temos a impressão que vamos sucumbir, vamos ser soterrados pelas avalanches de problemas, de situações difíceis, como: desemprego, crise financeira, crise no casamento, enfermidade, problema com os filhos, perda de um ente querido, injustiças e difamações que nos machucam tremendamente, e tantos outros sofrimentos... se deixarmos de lutar, com certeza seremos sufocados, engolidos pelas grandes pressões.
Entretanto, os problemas, as lutas, os desafios, enfim, nos ensinam e ensinam muito. Geralmente, saímos fortalecidos de uma provação. No sofrimento aprendemos sobre humildade, mansidão, perdão, tolerância, confiança e, sobretudo, aprendemos a confiar em Deus de verdade. Em certos momentos nada mais temos a fazer senão jogarmo-nos nos braços ternos e eternos de Jesus, dizendo: “Senhor, socorre-me! Ajude-me! Não agüento mais! Toma-me nas Tuas mãos”.
Sabe, meu querido, é nesse momento que a força de Deus nos levanta! O Poderoso vem em nosso auxílio, coloca os nossos pés sobre a rocha e firma os nossos passos. É o que está escrito no Salmo 40:2.
Com aquele cavalo, aprendemos a lutar, a não esmorecer. Veja que confortador o que diz ainda a Palavra em Is. 41:10,13 “Não temas porque eu sou contigo; não te assombres porque eu sou o teu Deus; eu te fortaleço e te ajudo, e te sustento com a minha destra fiel. Porque eu, o Senhor, teu Deus te tomo pela tua mão direita e te digo: Não temas que eu te ajudo.”
Podemos até ter a garra, a coragem, a determinação para a luta, porém, nossa vitória está em Cristo Jesus, nosso Senhor.
*Luciano Breder é pastor da Igreja Prebiteriana do Brasil
Autor:
Luciano Breder
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 29 de Janeiro de 2020, às 12:07