Jovem narrou o dia em que precisou usar carro de funerária
A bancária Débora Barros, de 26 anos, relatou em seu canal no Youtube duas situações pelas quais passou depois de ter perdido os movimentos das pernas e depender de uma cadeira de rodas para se locomover. De forma bem humorada, ela tratou os casos como “cômicos e trágicos ao mesmo tempo”. A comovente história de Débora foi tema de uma reportagem recente do FOLHA DO SUL ON LINE.
O primeiro relato foi de uma história que ela viveu em Ji-Paraná, no tempo em que morou lá com a família, em 2013. A jovem contou ter notado olhares de pessoas que passavam pela rua enquanto sua mãe a empurrava pela calçada de uma das ruas da cidade.
“Eu achei normal, porque as pessoas já têm costume de olhar direto na minha perna, não sabem se quebrei as duas pernas, se quebrei a coluna; quando não me conhecem é assim mesmo”, disse. Só metros à frente, quando olhou para baixo, viu que a perna tinha caído e o pé estava “linchando” no chão.
Débora não tinha percebido, já que não sente dor, mas, disse ter chorado de por dó de seu pé machucado. “Não sentir dor é uma coisa boa, ninguém gosta de sentir dor, mas, no meu caso, não sentir dor é uma coisa, dor às vezes é uma coisa ruim, porque não alerta se alguma coisa tá acontecendo ali”, comentou.
A segunda história contada pela moça aconteceu logo quando ela se tornou cadeirante e precisou andar de carro funerário.
Débora ficou 52 dias internada na capital de Rondônia após seu acidente. Quando recebeu alta, voltou para Vilhena e precisava fazer sessões de fisioterapia, mas, para ser levada ao local onde faria o tratamento, não poderia ir em um carro comum, já que ela não conseguia sentar.
O pai da bancária então foi atrás de uma ambulância para transportar a filha e, como não encontrou, a solução foi alugar um carro de funerária, já que o veículo tinha espaço para a moça ir deitada.
“Era daqueles antigos, com o vidro transparente, e eu só fui saber quando estava entrando no carro”, contou. Ela foi colocada no mesmo local usado para ser transportado o caixão, e seguiu em direção para o Centro de Vilhena.
No caminho, atraindo olhares, ela se cobriu com um lençol para se esconder. Ela pediu ao motorista que não passasse pela Melvin Jones, principal avenida do bairro onde morava, e onde fica o cemitério da cidade. Atendendo o pedido, o carro da funerária seguiu por outra rua, mas, como Débora não podia sofrer baques, o motorista manteve velocidade reduzida, enquanto era seguido pelo pai da moça, que estava em outro carro, o que pareceu um cortejo fúnebre.
Em um determinado ponto, ao perceber a observação das pessoas, ela tirou o lençol que a cobria e acenou, dizendo que não estava morta. “O cara levou um susto e caiu na risada. Gente, eu não acredito que fiz isso ainda”.
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Autor:
Jéssica Chalegra
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 13 de Março de 2020, às 16:37