Diante da polêmica em torno das próteses de silicone francesas (da marca PIP), o FOLHA DO SUL ONLINE procurou o cirurgião plástico Marco Dallegrave, que trouxe boas notícias para as pacientes de Vilhena e região que passaram por suas mãos. Em entrevista ao site, o médico tranquilizou as pacientes, afirmando que não faz uso da marca que apresentou o problema. “Cheguei a entrar em contato com a tal marca PIP há muitos anos quando comecei a carreira. E, por incrível que pareça, a marca tinha um bom reconhecimento no mercado. Infelizmente, os últimos lotes fabricados apresentaram problema, o que é lamentável”, disse Dallegrave. O cirurgião reiterou que as pacientes que tiveram próteses de silicone colocadas por ele não precisam se preocupar com esta polêmica.

Dallegrave afirmou que há muitos anos prefere confiar nas próteses americanas, que, com tradição no mercado e um alto nível de fiscalização por parte dos órgãos estadunidenses, dificilmente trazem problemas ao paciente. “Com o tempo de profissão, vamos adquirindo experiência e conhecendo melhor os produtos disponibilizados no mercado. Hoje trabalho apenas com uma marca de prótese porque confio no produto”, esclareceu Marco Dallegrave.

Ele afirmou que quem se submeteu à aplicação das próteses francesas deve procurar o cirurgião responsável pelo procedimento e investigar a possibilidade de retirada. (Após as cirurgias, os médicos entregam o certificado de garantia da prótese no qual consta o nome do fabricante, marca e lote do produto). “Fico imaginando o transtorno pelo qual estas milhares de mulheres estão passando agora com a possibilidade da retirada da prótese”, lamenta o cirurgião, lembrando que, para retirada da prótese, é necessário passar por uma nova cirurgia, ou seja, a paciente tem que passar por todos os procedimentos que uma cirurgia requer: desde exames pré-operatórios, passando pela anestesia e, claro, pós-operatório. “A complicação com as próteses é transtorno para quem  utilizou o produto defeituoso”.

ENTENDA A POLÊMICA

A crise em torno da marca começou no final do ano passado quando o governo francês recomendou que as mulheres francesas retirassem as próteses e se comprometeu a pagar por isso.

O fabricante francês Poly Implant Prothèse (PIP) foi processado por elaborar próteses mamárias com silicone industrial, o que acarreta riscos à saúde. A Alemanha e a República Tcheca entraram no grupo de países que recomendam a extração de todos os implantes da prótese pela empresa francesa PIP (Poly Implant Prothèse). Elas se juntam à França, primeiro país a fazer a recomendação e disposto à pagar pelas cirurgias.

 O Brasil também se pronunciou sobre o assunto, já que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autorizou a importação de 34.631 unidades da marca PIP. Ontem, 11 de janeiro, a presidente Dilma Rousseff repassou à Anvisa e às entidades de cirurgia plástica e mastologia a decisão do governo federal de oferecer gratuitamente pelo SUS (Sistema Único de Saúde) cirurgias reparadoras para todas as mulheres com prótese de silicone das marcas PIP (a ação será estendida à marca Rofil). Das 34.631 unidades da marca PIP importadas pelo país, 24.534 foram comercializadas. As outras 10.097 próteses serão recolhidas e descartadas.

Mas somente as mulheres que apresentarem problemas poderão requerer a retirada da prótese. A partir dos exames, vão ser identificados quais implantes precisam ser trocados. O grupo que não apresentar vazamento, deformidade ou irritação por causa da prótese vai ser monitorado.

O defeito da marca PIP

A preocupação com a prótese PIP (Poly Implant Prothèse) está no fato de ela ter sido feita com material impróprio para finalidades médicas, sem testes de segurança para o organismo, além de apresentar um porcentual de ruptura numa fase em que a prótese ainda deveria apresentar integridade. No total, aproximadamente entre 400 mil e 500 mil mulheres no mundo colocaram os implantes defeituosos, nos quais foi utilizado um gel industrial, que pode causar danos à saúde, ao invés do silicone.

 

Cuidados na hora da cirurgia

Marco Dallegrave destacou que ao decidir usar uma prótese de silicone, as mulheres precisam procurar um cirurgião plástico de confiança e desconfiar de preços muito baixos. Isso porque, em geral, a escolha da prótese não é feita pela mulher e sim pelo médico, que tem informações técnicas e científicas para decidir qual é o melhor implante para a paciente. 

Wanda Elizabeth Corrêa, presidente da Comissão de Silicone da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, diz que, “em geral, a indicação de uma marca de prótese é feita por meio de estudos científicos que o fabricante apresenta para demonstrar segurança e qualidade”. Ela lembra que se a mulher escolher o médico que cobra um preço muito baixo, é óbvio que ele vai oferecer a prótese mais barata.

Cadastro nacional de prótese mamária

Marco Dallegrave informou que, para evitar futuros problemas, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, da qual o cirurgião é membro, anunciou a criação de um cadastro nacional para rastrear todas as mulheres que implantam próteses de silicone nas mamas. A ação, que não envolve órgãos do governo, entrará em vigor neste mês. “O objetivo é ter uma ferramenta que mapeie de maneira eficaz todas as mulheres que colocaram ou retiraram próteses, incluindo numeração, marca e os motivos do implante”, esclarece Marco Dallegrave que ainda explica que o objetivo é, em casos de problemas como este, facilitar a localização de mulheres que possam ter problemas.


Mas vale lembrar que somente médicos registrados na SBCP vão contar com o benefício. A entidade explica que em breve os médicos já poderão começar a alimentar o programa com dados das pacientes, que serão mantidos em sigilo. Para ter acesso ao sistema, o médico terá de usar uma senha e será identificado por um número. Ele não conseguirá ver dados das outras mulheres nem de outros médicos, mas verá dados gerais.