Advogado da acusada criticou STF por julgar réus sem foro privilegiado
 
Após constatar a movimentação processual envolvendo uma comerciante de Cerejeiras, que foi denunciada pela PGR no Supremo, acusada de participar dos atos do dia 08 de janeiro, em Brasília, quando prédios públicos foram vandalizados, o FOLHA DO SUL ON LINE conversou com o advogado do DF que a representa.
 
Dona de uma pequena empresa em Cerejeiras, a denunciada, que voltou para casa usando uma tornozeleira eletrônica, não aceitou fazer um acordo para encerrar o processo. O advogado explicou que a proposta apresentada é inaceitável.
 
Segundo o profissional do Direito, para encerrar os processos, os réus precisam aceitar pagar uma multa no valor aproximado de R$ 5 mil, participar de um curso sobre democracia e prestar serviços comunitários por um período.
 
O entrevistado disse que nenhum de seus clientes fez acordo, pois teriam que admitir a prática de crimes que, segundo ele, não foram cometidos. “Estavam nas ruas protestando, não se envolveram em ações de vandalismo”.
 
O criminalista, que critica duramente o STF por julgar na última instância pessoas sem foro privilegiado, revelou que a corte dividiu os réus em grupos, de acordo com a conduta de cada um. Os que estão sendo julgados, e pegando penas de até 17 anos de prisão, são os que cometeram atos violentos.
 
Alegando que a cliente dele não participou do quebra-quebra, o advogado avalia que não há sustentação jurídica para que ela seja condenada a mais de 04 anos. Portanto, mesmo que seja penalizada, não deverá voltar para a prisão.
 
Segundo constatou a reportagem, a comerciante terá cinco dias para apresentar sua defesa e arrolar testemunhas. Não há prazo para que ela seja julgada no Supremo.