As desavenças públicas entre a cúpula do PCdoB em Porto Velho, onde o presidente e o vice da legenda travam uma queda de braço pelo controle da agremiação, chegaram a Vilhena. No último final de semana, o professor Francisco Pantera, vice-predidente, esteve na cidade e anunciou que mudaria o comando do partido no município, substituindo o atual presidente, Acácio Félix, pelo agente penitenciário Juraci Duarte, que no ano passado concorreu a deputado estadual pela legenda. Na mesma ocasião, Pantera exigiu que a ex-juiza trabalhista Rosângela Cipriano passasse a integrar a direção local do PCdoB, já na condição de pré-candidata a prefeita.

Acácio Félix, no entanto, reagiu à interferência de Pantera e realizou convenção no sábado, elegendo como presidente o gerente da Sedam na cidade, Luiz Gomes. O próprio Acácio ficou com a vice-presidência. Quanto à entrada de Rosângela, embora o dirigente não tenha, de início, colocado obstáculos à filiação, lembrou que a ex-magistrada não tem o tempo de militância exigido pelo estatuto comunista (um ano) para integrar e executiva local. Agora, com a insistência de Pantera em mantê-la na direção, os comunistas liderados por Acácio ensaiam uma rebelião. “Não vamos mais aceitar a filiação da Rosângela”, esbraveja o dirigente. Os rebelados também não aceitam Duarte na presidência e alegam que ele estaria inadimplente e, portanto, não pode ser votado.

A encrenca terá que ser resolvida na capital, onde o próprio Pantera e o presidente, Manuel Neri, vivem às turras. Não está descartada também a intervenção do PCdoB nacional na encrenca paroquial.