Moradores da Capital do Café questionam dados que mostram quase uma estagnação no crescimento populacional daquele município
 

 
Após o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) divulgar, no dia 28 de agosto, uma estimativa em que mostra que a população de Vilhena é maior que a de Cacoal, os moradores da Capital do Café não aceitaram que sua cidade ocupe a 5ª posição entre os municípios mais populosos de Rondônia e passaram a questionar em redes sociais os números divulgados pelo órgão. A data de referência da pesquisa é de 1° de julho de 2019.
 
 
Segundo a estimativa, o número populacional de Cacoal em 2019 é de 85.359, ficando em 5º lugar, enquanto Vilhena tem 99.854 habitantes e ocupa a 4ª posição. A primeira posição é de Porto Velho, com 529.544 habitantes, seguido por Ji-Paraná com 128.969. O terceiro no ranking é Ariquemes com 107.863.
 
 
Nos debates virtuais, os cacoalenses não se conformavam com o baixo crescimento populacional do município e questionavam a autenticidade dos dados do IBGE, principalmente na comparação com Vilhena. Eles pontuavam que nos últimos anos houve uma expansão imobiliária na cidade, a abertura de vários loteamentos e o surgimento de novos bairros.
 
 
A população contesta também a projeção de crescimento dos últimos 10 anos.
Em 2009 a estimativa populacional de Vilhena era de 69.866 habitantes e a projeção é que agora esse quantitativo salte para 99.854, apresentando assim um acréscimo populacional de cerca de 30 mil pessoas (29.988). Já Cacoal tinha uma população de 78.675 habitantes e agora deve subir para 85.359, apresentando assim um crescimento apenas de 6.684 pessoas, nem 1/3 do aumento que deve ser registrado em Vilhena.
 
 
De acordo com o chefe da Agência do IBGE em Cacoal, Natanael Marinho Gonçalves, para fazer a estimativa da população de cada município é utilizado  método com três variáveis: a variação da população entre um censo e outro; variação na área do município, caso ocorra. “Exemplo, se o município tiver uma redução na área a população vai ir junto e vice versa”, revelou Natanael. Já a terceira variável adotada é o índice nacional de nascidos vivos e mortos, conforme dados do Registro Civil Nacional. 
 
 
TERRITÓRIO DE VILHENA
A justificativa para o crescimento do número de habitantes de Vilhena e a disparidade com relação a Cacoal pode estar relacionada ao crescimento territorial que a Cidade Clima teve. Em 2016 foi registrado que Vilhena teve sua área acrescida após a correção nos limites entre Rondônia e Mato Grosso. Sendo assim, o chefe da Agência do IBGE explica que essa variação reflete no número populacional durante os cálculos. “Como houve alteração acrescentando a área do município, consequentemente a população sobe também”, relatou.
 
 
IMPORTÂNCIA DOS DADOS OFERECIDOS PELO IBGE
As estimativas populacionais contribuem para calcular indicadores sociodemográficos, e também auxiliam na implementação de políticas públicas. Todos os resultados são passados ao Tribunal de Contas da União (TCU) e servem como parâmetro no envio de verbas do Governo Federal para as cidades. Além, disso as cotas do Fundo de Participação dos Estados e do Fundo de Participação dos Municípios são definidas tendo as estimativas como base.
 
 
METODOLOGIA DE CÁLCULO
Para estimar o número populacional dos municípios o IBGE usa uma metodologia desenvolvida pelos demógrafos Madeira e Simões (1972), em que é possível observar a tendência de crescimento da quantidade de habitantes em cada município entre os dois últimos sensos, relacionados ao quanto uma área geográfica hierarquicamente superior tende a crescer.
 
As estimativas feitas em 2018 foram calculadas com base nas populações dos estados projetadas na Revisão 2018 das Projeções de População, divulgada em 2019. As projeções do número populacional têm como base informações sobre o comportamento passado e hipóteses futuras, como mortalidade, fecundidade e migração. Se houver mudança, será feira uma revisão de parâmetros para que novas transformações sejam inseridas.
 
 
REVISÃO 2018
A projeção passou pela Revisão 2018, que foi motivada pela mudança nas hipóteses prevista para o comportamento de fecundidade na Projeção 2013. Como ocorreu uma mudança e entre 2000 e 2016 houve uma série histórica de nascimentos registrados, foram esses dados os usados para retratar os novos índices de fecundidade.