Versão de mulheres e exames contradizem argumentos do acusado

Em uma coletiva com a imprensa na manhã de sexta-feira, 26, o delegado Núbio Lopes de Oliveira (FOTO), titular da Delegacia de Homicídios de Vilhena, revelou detalhes sobre a conclusão do inquérito que investigava a morte do comerciante Edemilson Gomes dos Santos, de 42 anos, que foi assassinado no dia 11 de maio deste ano, após uma discussão com dois caminhoneiros no restaurante que ele era dono na BR 364, a cerca de 25 km da cidade. Lembre aqui.

Núbio comentou que, dentro das investigações apareceram duas versões, sendo uma dos dois caminhoneiros envolvidos, e outra dada pela esposa e pela irmã do comerciante que foi morto.

Os dois motoristas, Juracy Pereira e Rogério Miguel Fagundes, contaram que a confusão começou quando um terceiro caminhoneiro chegou ao restaurante e pediu ajuda, pois estava com o caminhão estragado. Quando foram ajudar o colega de profissão, o dono do restaurante, Edemilson Gomes dos Santos, mandou os três tirarem os veículos do pátio, já com uma arma em mãos, e ameaçou matar ambos caso eles não fizessem o que era ordenado.

Diante da situação, o caminhoneiro que precisava se trancou na cabine de seu veículo, enquanto Juracy e Rogério permaneceram na discussão. O comerciante disse que levaria os dois para dentro do restaurante, onde os mataria, e deu uma coronhada na cabeça de Rogério, que reagiu para pegar a arma, resultando em uma luta corporal. Nesse momento, Juracy conseguiu pegar o revólver de Edemilson, mas ao se afastar, o comerciante golpeou seu amigo com uma faca.

Ainda com a arma branca em mãos, Edemilson teria ido em direção a Juracy, com a promessa de que o mataria. Diante da ameaça, o caminhoneiro atirou três vezes contra Edemilson, e após esse cair,  socorreu Rogério, trazendo-o para o Hospital Regional de Vilhena.

Porém, a versão dada pelas familiares da vítima diz que elas viram do restaurante quando os caminhoneiros e o empresário discutiam. Para separar a briga, as mulheres foram até o local, e até então não havia nenhuma arma com os envolvidos; masum dos caminhoneiros buscou uma dentro do caminhão. Com isso, Edemilson também buscou a sua no restaurante. Com ambos armados, o comerciante exigia que o caminhoneiro lhe entregasse o revólver, e foi quando um deles pegou a arma que estava na cintura do outro e fugiu.

Ele foi seguido por Edemilson, que tropeçou e caiu. O caminhoneiro retornou e eles entraram em luta corporal. As mulheres relataram à polícia que nesse momento viram as duas armas no chão, e foi quando Juracy se aproximou, as pegou e se afastou, mas voltou quando Rogério gritou que havia sido esfaqueado. Nisso, Juracy retornou e fez o primeiro disparo.

Na tentativa de defender sua esposa, Edemilson a empurrou para o lado e correu para o mato, onde foi encontrado já sem vida. Diante da confusão, os outros motoristas que seriam testemunhas fugiram antes da chegada da polícia.

Com as duas versões, a Polícia Civil passou a investigar alguns pontos para chegar à conclusão do inquérito. Havia características nos relatos que coincidiam, mas a conclusão só foi tirada com o laudo.

“Os ferimentos provocados na vítima de homicídio, foram dois: um de raspão no ombro, e o outro na face. Mas em qual lado dessa face? Na região masseterina”, comentou o delegado.  

A região fica na lateral do rosto, então não havia possibilidade de o tiro atingir aquela parte do rosto se a vítima estava indo em direção a quem lhe deu o tiro. Ambos os ferimentos também tinham características de tiro a distância, o que casa com a versão apresentada pelas mulheres. “Então,  realmente dá para entender que existiu uma distância mínima entre a vítima e o atirador”, completou Núbio.

Foi entendido pela polícia que a bala atingiu a vítima enquanto ela corria, e do lado direito, o que ficou exposto na direção em que Juracy foi. Quando o projétil atingiu a lateral do rosto e bateu na base da mandíbula, ele mudou o trajeto e foi em direção a garganta, onde atravessou uma artéria que provocou uma hemorragia a uma asfixia.

As informações colhidas pela Polícia Rodoviária Federal também bateram com a das mulheres. “Nós concluímos que no momento em que o caminhoneiro efetuou o disparo contra o dono do restaurante, ele não estava com a vida ameaçada pelo comerciante, que só estava com um canivete na mão, o mesmo que foi localizado pelo perito, junto ao corpo”, explicou. Já o acusado estava com duas armas, mas nenhuma delas foi localizada. “Afasta-se qualquer possibilidade de legítima defesa”, completou o delegado.

Juracy responderá por homicídio simples, mas não foi representado por sua prisão, já que ele tem emprego e residência fixa.