Denúncia anônima no MP mostrou qualidade de arroz servido a alunos
O FOLHA DO SUL ON LINE entrevistou o delegado regional da Polícia Civil em Vilhena, Fábio Henrique Campos, que comandou uma ação deflagrada ontem para investigar suposta fraude no fornecimento de arroz para a merenda escolar na cidade (entenda aqui).
A autoridade policial cumpriu mandado numa cerealista de Cacoal, que produz várias marcas de arroz. Campos achou produtiva a operação, mas considerou que a empresa colaborou pouco. “Fizemos busca e apreensão no setor administrativo, mas eles não forneceram o laudo de classificação desse arroz vendido para a prefeitura de Vilhena. Também não recebemos o controle de produção, que atestaria quem comprou o lote que investigamos”.
O delegado explicou que toda a investigação começou com uma denúncia anônima feita no Ministério Público. Quando a polícia entrou no caso, 25 kg de arroz foram recolhidos nas escolas, e submetidos a análises por peritos da Politec. Os exames, seguindo normas do Ministério da Agricultura, constataram que era “arroz de terceira”, e não “tipo 1”, como previa o edital de licitação, vencido por um supermercado local.
Fábio Campos, aliás, esclareceu que o dono do estabelecimento que venceu a concorrência para fornecer o arroz, também será ouvido, bem como merendeiras que prepararam o alimento.
O delegado ressalta, no entanto, que logo após o recolhimento das amostras nas escolas, o supermercado que fornecia o produto fez, “espontaneamente”, a substituição da marca investigada por outra, que está dentro dos padrões exigidos. “Pelo menos pararam de servir arroz de má qualidade aos alunos”, comemora o delegado.
QUANTO FOI CONSUMIDO?
Do total de 8 mil pacotes de 5 kg de arroz que deveriam ser fornecidos, 6.500 já haviam sido entregues, quando a investigação começou, no mês passado. Cada sacola foi vendida por R$ 12,97.
NOVA LICITAÇÃO
Uma nova licitação, para o fornecimento de arroz para abastecer a Casa de Apoio, mantida pela prefeitura de Vilhena em Porto Velho, foi vencida por outro supermercado. O estabelecimento apresentou a mesma marca produzida em Cacoal, ao custo de R$ 15 a sacola.
POR QUE NÃO TEM NOMES?
A própria polícia não divulgou, no material que enviou à imprensa, os nomes das empresas investigadas. Ainda não comprovação de conluio entre a cerealista que beneficia o arroz e o supermercado que o revende. Um dos dois terá que ser responsabilizado pelo fornecimento do produto fora dos padrões. A decisão de identificar as empresas cabe aos veículos de imprensa, que poderão responder na justiça, e pagar indenização, se eventualmente algum deles provar que não cometeu ilegalidades.
O QUE DIZ A SEMED?
NOTA DE ESCLARECIMENTO
Sobre a suspeita de entrega irregular de arroz para escolas da Prefeitura, a Secretaria Municipal de Educação (Semed) de Vilhena explica que:
(1) Ficou ciente da qualidade inferior do arroz após perícia da Polícia Civil, visto que, no momento em que é realizada a entrega do produtos, são verificados se o que foi entregue está de acordo com o empenho em que foram solicitados, ou seja, se na embalagem consta o tipo 1.
(2) Este arroz deixou de ser fornecido para as escolas ainda em outubro, haja vista que já existe outro processo licitatório para fornecimento de arroz.
(3) A Semed estudará junto com os nutricionistas, almoxarifado, fiscais e diretores novas práticas na verificação dos alimentos recebidos para que o problema não ocorra novamente.
Fotos
Autor:
Da redação
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 26 de Novembro de 2019, às 11:28