Resposta para uma única pergunta dirá quem tem razão

Desde ontem, quando vazou na internet a versão oficiosa (porque a oficial ainda não saiu), do Acórdão do TSE que cassou o mandato da prefeita de Vilhena, Rosani Donadon (MDB), a assessoria dela produziu textos afirmando que o documento “liberava” sua candidatura na eleição suplementar; no áudio que compartilhou em grupos do WhatsApp, um secretário de Rosani afirma com todas as letras: “O próprio TSE liberou e a nossa prefeita é candidatíssima”; eufóricos, simpatizantes da prefeita foram às redes sociais jurando que ela estava habilitada para a nova disputa, prometendo uma vitória com 30 mil votos de diferença, vamo que vamo... etc e etc. Um surto de fake news, movido a esperança, ingenuidade e uma boa dose de má fé.

O FOLHA DO SUL ON LINE aborda o tema, que tanta aflição provoca em Vilhena, em linguagem opinativa, para facilitar a compreensão dos leitores. E o faz com a responsabilidade de quem, na campanha eleitoral do ano passado, cobriu a disputa exercendo uma regra básica do jornalismo: ouvir as duas partes envolvidas no litígio.

O professor de Direito Mário César Torrres, que defendia a prefeita, garantiu na época: Rosani estava apta para a disputa daquele ano. O advogado Newton Schramm, especialista em Direito Eleitoral, discordou do colega: Rosani estava inelegível ao concorrer. Como as duas opiniões eram conflitantes, apenas uma delas sobreviveu ao fim da demanda. Fim é modo de dizer, porque o jogo vai recomeçar.

O Acórdão ao qual a FOLHA teve acesso (e que pode ser lido na íntegra aqui), com a linguagem rebuscada típica do juridiquês, confunde até mesmo profissionais do Direito. Aos leigos, então, parece não dizer coisa com coisa. Mas deixa claro para os que o leem sem paixões: Rosani não está barrada nem liberada. A prefeita se encontra na mesma posição em que estava em 2016: tendo que provar na justiça sua aptidão para a nova disputa.

As menções feitas na peça do TSE à disputa suplementar não dizem rigorosamente nada conclusivo. E os que têm conhecimento sabem disso mas, dos dois lados, ao invés de orientarem corretamente seus soldados, manipulam a informação para “dar gás” à militância. Até aí, tudo normal. É do jogo. Não pode é contaminar o noticiário com interpretações marotas e convenientes da lei. Muito menos distorcer, na cara dura, o conteúdo de um documento oficial.

Embora um processo judicial seja desgastante, ele será inevitável mais uma vez: Rosani buscando o que lhe parece ser de direito, e os adversários também batendo às portas dos tribunais reinvindicando o que acreditam ser o justo. Ambos legítimos em suas pretensões, mas querendo coisas opostas.

Ao leitor que se aflige para saber o que vem por aí, convém informar: a resposta para uma única pergunta dirá quem tem razão nesta discussão interminável. Como se sabe, houve um motivo para a eleição vilhenense ter sido anulada. O que se busca saber é: Rosani deu causa ou não à nulidade? Com a palavra os juízes. Com os berros, a torcida!