EDITORIAL
O povão não tá nem aí...
Já há algum tempo, as pessoas começaram a sentir fadiga da política. anos de práticas ilegais, ações sem efeitos e espertezas de quem ocupa cargos eletivos, levaram a esse cenário desolador
A provável mudança de horário das sessões da Câmara de Vilhena é mais uma tentativa de fazer o que parece impossível: convencer a população a acompanhar as decisões que afetam diretamente a sua vida. Por falta de público, o evento deixará a ser à noite, retornando à parte da manhã, como era até 2017. Ironia: a alteração anterior de horário visava justamente atrair maior público. Deu completamente errado...
Nem mesmo as transmissões ao vivo das sessões, através das redes sociais, que todos poderiam assistir do conforto de seus lares, despertou o interesse de cidadãos anestesiados, que ao invés de se informar pessoalmente sobre o que falam e fazem os vereadores, preferem gastar tempo com inúteis papagaiadas no WhatsApp e no Facebook. Trocam a análise pessoal e crítica do fato, pela terceirização da versão, que chega quase sempre distorcida.
Já há algum tempo, as pessoas começaram a sentir fadiga da política. Anos de práticas ilegais, ações sem efeitos e espertezas de quem ocupa cargos eletivos, levaram a esse cenário desolador. Acreditar, porém, que criminalizar a política, vai melhorar alguma coisa, é atitude que ultrapassa a ingenuidade e chega à ignorância. Gostem ou não, é com essa ferramenta que se constrói uma sociedade menos ruim. Não há outro caminho. Melhor investir, então, na recuperação da estrada, ao invés de dinamitá-la.
O que se tem visto atualmente, sob a justificativa de que “é preciso mudar o que está aí”, é um povo revoltado, mas sem saber exatamente o rumo a ser tomado. Virou moda desgastar políticos em geral e nivelá-los todos por baixo, o que só tem um efeito: desanimar os que prestam e ajudar a mascarar os que não valem nada.
O pior, no entanto, é o critério de julgamento usado por muitos, para avaliar o bom e o mau político: o bom é o que retribui o voto com cargos e outras vantagens, ignorando a coletividade em nome do interesse pessoal dos envolvidos; o ruim é o que se nega a arreganhar os cofres públicos a fim de quitar um compromisso que, em tese, deveria ser firmado apenas em nome da honra, que é o voto.
Com alguma sinceridade, ambos os lados desta mesma moeda chegariam à singela constatação de que, se não melhorarem juntos (uns cobrando com conhecimento e sem interesses, e outros agindo com mais ética e menos populismo), não haverá alguma esperança para ninguém. Restará apenas a velha e carcomida política de sempre...
Autor:
Da redação
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 09 de Abril de 2019, às 10:06