ROVER É MELHOR QUE OS OUTROS

 

Sandro Colferai*

 

“Tenho uma tese: Rover é um prefeito mais competente que seus antecessores! Para corroborar basta um único caso, e justamente aquele que está causando a polêmica do momento em Vilhena. Trata-se da nova cadeia pública, que o prefeito quer construir perto dos motores da Ceron. Pois bem, os prefeitos que comandaram o município antes de Rover fizeram a cidade crescer, não duvidemos disso, pois em Vilhena mais gente sempre foi sinônimo de crescimento. Nunca foi preciso que houvesse infraestrutura, basta que mais gente chegue e que loteamentos sejam lançados, mesmo que fiquem vazios e sirvam só para especulação, para que se comemore o tal crescimento.

Obras públicas nunca andaram ao lado do alardeado crescimento. O saneamento sempre ausente agora é alvo de mais um projeto grandioso. Os postos de saúde são sabidamente insuficientes. O transporte inexiste, e por isso mesmo começa a haver o problema do trânsito, cada vez pior em uma cidade que está longe de ter 100 mil habitantes. Isso sem falar na falta de opções de lazer, que faz dos bares e balneários as únicas coisas para se fazer nos momentos de folga.

Quanto o assunto é urbanização beiramos a megalomania, já que ainda nos achamos a mais bela e bem cuidada cidade de Rondônia. A sujeira começa a campear e as pessoas que querem usar o fim de tarde para caminhar – apenas caminhar! – precisam dividir espaço com carros no meio da rua. Se não bastasse a falta de pistas para caminhada nos largos canteiros centrais das maiores avenidas, nem mesmo calçadas há. Enfim, a cidade tem mais gente, mas continua carecendo de investimentos públicos.  

É aí que entra o Rover, e sua tão heterogênea administração – aquela que sempre tentou congregar todos, mas conseguiu no máximo formar feudos na administração municipal. O prefeito está empenhado em realizar as tais obras. Asfalto ele garante que fez mais do que qualquer outro, mas insistem em dizer que outros asfaltaram mais. Conseguiu os recursos e começou a pavimentar a Tancredo Neves, mas os céus não ajudaram e dá-lhe chuva – me pergunto como os ingleses não estão, ainda, na idade da pedra, pois lá chove pra caramba.

Mas, eis que surge a solução, uma obra grande, de impacto: o novo cadeião. A prioridade é tirá-lo da zona urbana, mas levar pra onde? Pra zona rural. E onde há área disponível? Nas chácaras perto dos motores da Ceron. Ora, por que reclamar, oficialmente ali é zona rural sim. Os Correios já sabem disso, tanto que nem levam correspondências aos moradores dos arredores. E, olha aí um investimento de grande vulto, e bem na área em que mais se investe. A universidade federal tá ali, o lar dos idosos, clubes de lazer, chácaras que há muito se transformaram em residências. As escolas fazem excursões aos clubes e chácaras dos arredores. Jogamos futebol por ali no final de semana. 

É um investimento sim. E Rover, com o cadeião, faz mais que seus antecessores, que lotearam sem investir em obras públicas. E segue o mesmo caminho, que preconiza comprimir as construções, sem um olhar a longo prazo. Em 20 anos acordaremos e tentaremos procurar espaços arborizados, área agradáveis para um simples passeio, praças ou alamedas, e descobriremos que competentes gestores públicos construíram o que deu, onde deu e do jeito que deu, pensando em eleições que aconteceram a duas décadas atrás, e por falta de planejamento. Nesta manhã de 2031 estaremos morando em uma cidade haitiana”.  

 

* O autor é professor universitário e jornalista em Vilhena