Mandante do crime também teria participado de execução Celso Leite Garcia, o Celso da Cacique (PT), atual vice-prefeito de Colniza (cidade matogrossense a 550 km de Vilhena) pediu a intervenção do Estado para reforçar a segurança no município, e diz estar receoso em assumir por não saber de fato qual foi a motivação do crime. Ele tomou posse na manhã desta segunda-feira, 18.
O petista assume a cadeira após o assassinato do prefeito Esvandir Antônio Mendes, o Vando Colnizatur (PSB), de 61 anos, em uma emboscada na tarde desta sexta (15). A cidade tem atualmente 36,1 mil habitantes. “Estou preocupado. Não sabemos qual foi a motivação dessa crueldade. E se for política? Por isso que, na sexta, durante o velório do meu amigo, conversei com o governador Pedro Taques (PSDB), pedindo uma intervenção. Precisamos de mais segurança”, afirma.
Questionado se sabe qual foi a motivação do crime, ou se realmente seria por conta de dívidas até mesmo com a prefeitura, o vice desconversou e disse que o prefeito nunca comentou nada a respeito. “Isso é o que muita gente está dizendo. Não sabemos, ele nunca comentou comigo nada relacionado a isso. Vamos esperar a conclusão das investigações. O que queremos é que o crime seja esclarecido”, frisou. Celso da Cacique destaca o ano “pesado” que a cidade vive: primeiro a chacina que vitimou nove em 19 de abril deste ano, na Linha 15, na gleba Taquaruçu do Norte.
Depois, a prisão do advogado Robson Medeiros, 42, expedido pela Justiça Federal em 20 de julho. “Agora o assassinato do prefeito. Colniza é uma cidade ótima para morar. Sei que a violência está em todo país, mas precisamos de reforço. A população está preocupada”, diz. Mesmo com toda insegurança política que a região passa neste momento Celso, destaca a beleza da cidade, ainda que em ano difícil. “Ainda estamos de luto. Vamos arregaçar as mangas e trabalhar. Ainda temos três anos à frente da prefeitura e vamos buscar fazer um ótimo trabalho”, disse. Celso estava em São Paulo acompanhando a cirurgia da mãe, quando recebeu a notícia da morte do prefeito.
EMBOSCADA
O assassinato ocorreu por volta das 18h30, quando o prefeito e o secretário municipal de Finanças, Admilson Santos, seguiam para a zona rural de Colniza. Durante o percurso, dois homens em uma caminhonete SUV começaram a segui-los. Em determinado momento, os assassinos conseguiram se aproximar das vítimas, sacaram os revólveres e atiraram diversas vezes. Vando morreu na hora. Já o secretário foi baleado nas costas e na perna. Ele foi encaminhado ao hospital municipal de Colniza para atendimento médico. O estado de saúde dele é considerado estável.
PRESOS
Os três suspeitos presos pelo assassinato do prefeito foram autuados em flagrante nos crimes de homicídio qualificado, por motivo fútil, pela paga ou promessa de recompensa e recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Eles também vão responder por tentativa de homicídio qualificado contra o secretário do município, Admilson Ferreira dos Santos, 41 anos.
O crime estaria motivado por cobrança de dívida. Os criminosos, Zenilton Xavier de Almeida, Antônio Pereira Rodrigues Neto e Welisson Brito Silva, foram presos em uma estrada entre os municípios de Juruena e Castanheira. Eles fugiam em um veículo Fiat Uno cinza, quando foram abordados, cerca de 20 km após Castanheira, por uma viatura do Grupo Armado de Resposta Rápida (Garra), da Regional da Polícia Civil de Juína, que desde o crime, no começo da noite de sexta-feira (15), auxilia as investigações.
Dentro do automóvel foram apreendidos R$ 60 mil, em espécie. O dinheiro estava em um pacote do Banco do Brasil, sendo um montante de R$ 50 mil, e outros dois volumes de R$ 10 mil. Segundo o delegado, Caio Álvares Albuquerque, da Delegacia de Roubos e Furtos de Cuiabá, que foi para região com três investigadores, para reforçar as investigações junto com o delegado de Colniza, Edison Pick, o dinheiro encontrado no carro pertence ao suspeito Antônio Pereira Rodrigues Neto, que é empresário em Colniza do ramo de rede de combustível e táxi aéreo. "Dois deles confessam e Antônio permaneceu em silêncio, disse.
De acordo com os presos, foram usadas quatro armas de fogo no crime, mas somente um revólver calibre 38 e um fuzil 22, com numeração raspada, foram encontrados dentro de uma bolsa deixada no mato, pela Polícia Militar. As armas estavam cerca de 15 km de Colniza, localidade onde também foi abandonada a caminhonete da ação criminosa. Duas pistolas, que segundo as informações levantadas, também foram usadas, teriam sido jogadas dentro de um rio. O Corpo de Bombeiros foi acionado para efetuar buscas a fim de localizá-las.
As armas passarão por perícia na Politec e o veículo dos criminosos foi periciado no sábado (16). Após os procedimentos do auto de prisão em flagrante, os suspeitos foram encaminhados à Cadeia Pública de Colniza. "Continuamos as investigações para esclarecer a motivação, principalmente, o rol de mandantes. Sobre a motivação, tudo indica que seria dívida. É uma linha de investigação. Vamos continuar os trabalhos hoje para ver que se apura a mais", disse.
O suspeito Antônio Pereira Rodrigues Neto é morador de Colniza e arregimentou os dois comparsas oriundos do Pará para o crime. Antonio é apontado como o mandante e também participou da execução do prefeito. O delegado Edison Pick, coordenou a parte operacional dos trabalhos que culminaram na prisão dos autores.