Numa decisão dramática, o cirurgião Carlos Mamede, que atua no Hospital Regional de Vilhena, realizou um procedimento inédito na cidade e conseguiu salvar o braço de um pedreiro, que havia se ferido num acidente doméstico. Foram mais de quatro horas de cirurgia, que devolveram os movimentos ao membro, que seria amputado se não fosse a coragem do médico em assumir os riscos da operação.
O acidente aconteceu há menos de um mês, quando o pedreiro Edinei de Oliveira Araújo, 36 anos, descontrolou-se ao brigar com a filha, que havia ido a uma festa sem sua autorização. Nervoso, ele deu um soco no vidro da janela da casa onde mora, no Setor 8.
Com a pancada, o vidro estilhaçado cortou uma artéria do braço de Edinei. Sangrando muito, ele foi socorrido por um colega, que o levou ao HR, onde Mamede estava de plantão. O procedimento comum, em unidade onde não existe cirurgião vascular, é “grampear” a artéria rompida e encaminhar o paciente para centros especializados. “O problema é que, após 50 minutos nesta situação, o membro tem que ser amputado”, explica Mamede.
Durante a arriscada operação, o cirurgião realizou uma “anastomose arterial”, ou seja, ligou as duas artérias cortadas pelo vidro. “Foi um trabalho delicado, mas compensador, porque o Edinei implorou que eu salvasse seu braço, pois era com ele que garantia o sustento da família”, emocionou-se o médico, que veio è redação do FOLHA DO SUL ON LINE em companhia do agradecido paciente, a pedido do próprio trabalhador da construção civil.
Segundo Mamede, em 23 anos de profissão, 14 deles atuando em Vilhena, nunca viu um resultado semelhante ao que conseguiu numa cirurgia emergencial como essa. O profissional revela que já houve casos parecidos em outras cidade de Rondônia em que, por falta de iniciativa como a sua, os pacientes perderam os membros afetados ou morreram ao ser transferidos para outras unidades.
GRATIDÃO – Em conversa com a reportagem, Edinei reconheceu o esforço do médico e disse que está praticamente recuperado. Mamede atesta que os movimentos do braço do pedreiro voltarão ao normal, após a segunda cirurgia, realizada em Porto Velho, para onde o rapaz foi transferido, já fora de perigo. Este segundo procedimento teve como objetivo a reconstrução de nervos e músculos atingidos pelo corte. “Agradeço também a equipe médica que cuidou de mim no hospital João Paulo II”.
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