Júnior Donadon foi o único a falar; colegas dele só se manifestarão “em juízo”
O FOLHA DO SUL ON LINE teve acesso a parte do depoimento prestado pelo vereador Júnior Donadon (PSD) na Polícia Federal, após ser preso nesta semana. Enquanto seus colegas, acusados do mesmo crime se calaram na DPF, alegando que só falariam “em juízo”, ele deu declarações na presença de advogado.
O parlamentar negou fazer parte do esquema que extorquia empresários e recebia terrenos para aprovar loteamentos na Câmara. Júnior, no entanto, admitiu ter recebido quatro lotes, mas disse que eles teriam sido dados como “presente”.
Conforme o vereador, a recompensa em forma de terrenos teria sido feita pelo fato de ele ter colocado em votação, em regime de urgência na Câmara, projeto para liberar um empreendimento imobiliário na cidade. Donadon alegou que fez isso atendendo a um pedido do vereador José Garcia (DEM) acusado de ser o operador do grupo e que alegou que o empresário tinha pressa em começar as vendas dos imóveis.
Durante buscas da PF na casa do edil, foram encontrados contratos que confirmam o repasse dos quatro imóveis a ele. Os lotes teriam sido dados como parte do pagamento da própria residência adquirida por Júnior e onde estavam os documentos.
Para a polícia, a admissão do recebimento dos bens confirma que o vereador cometeu crimes. “Uma coisa é um presente de pequeno valor. Quatro terrenos, e apenas num dos loteamentos, são avaliados em mais de R$ 80 mil”, argumenta um investigador
O parlamentar, ao jogar a responsabilidade pelo ato sobre o colega Garcia, estaria tentando, segundo a PF, escapar da acusação de que integra o grupo criminoso. Ele teria alegado também que está sendo “vítima de uma armação política”, mas quando perguntado sobre quem estaria por trás da suposta perseguição, argumentou que ainda está tentando descobrir o autor da ação.