Pedrinho e Pagani se manifestaram da tribuna da Câmara
Em pronunciamentos feitos nesta semana em que o país “ferveu” no Dia da Independência, dois vereadores de Vilhena foram à tribuna da Câmara e dispararam falas contundentes
O primeiro a se manifestar foi Pedrinho Sanches (Avante), ex-vereador e ex vice-prefeito em Cerejeiras; o outro foi o mais votado no ano passado, Dhonatan Pagani (PSDB), exercendo seu primeiro mandato. Confira abaixo as falas de cada um:
PEDRINHO SANCHES
“Ontem, 7 de setembro de 2021, dia da nossa independência, cada um de nós manifestamos de alguma maneira a nossa indignação contra o sistema que aí está.
Na minha opinião o povo, a massa, está acordando tarde. Tem mais de 10 anos que eu venho falando isso. Falei como vereador da cidade de Cerejeiras, falei como vice-prefeito, falei quando estive como prefeito, como secretário de Estado, e todos os senhores e senhoras são testemunhas que eu venho falando aqui desde o mês de janeiro: acorda Brasil, senão nós vamos trilhar os caminhos da Venezuela.
Onde já se viu pagar 7 reais num litro de gasolina? O mesmo combustível que o Paraguai vende a R$ 2,50, ido aqui do Brasil.
Olha o preço do gás de cozinha, se tem cabimento de um ser humano que ganha um salário mínimo e paga aluguel e filho, se tem como ele comprar. Estamos indo devagarzinho para um trilho horroroso. Nós somos 210 milhões, não podemos admitir.
Temos que pagar 7 reais pelo castigo de termos nascido aqui? Por sermos brasileiros? Pegam o nosso petróleo, mandam para a Bolívia, para o Paraguai e lá eles conseguem vender a R$ 2,50. Então, a quanto chegou esse petróleo lá pra eles?
Que independência é essa? Na verdade, continuamos escravos para bancar as mordomias de certos bacanas que nós sabemos muito bem quem são. Ministros do Supremo Tribunal comendo, pago com dinheiro do contribuinte, bobó de camarão, lagosta à milanesa, caviar, e dos tipos mais variados possíveis.
Auxílio moradia pra deputado, pra senador, pra presidente, pra ministro do Supremo, pra desembargadores, e pra vereador de capital. Quem precisa de auxílio alimentação e auxilio moradia é aquele que vive de cesta básica, é aquele que mora debaixo da ponte. Não é o cidadão que ganha 70, 80 mil reais num país desse. E ainda recebe auxílio moradia. Esse é o câncer. Não é a viagem de um vereador de Vilhena, uma cidade rica, pujante, a Porto Velho ou Brasília, atrás de recursos; que a diária não é dele não, a diária é pra custear ele. Acorda Brasil! Os fofoqueiros de internet.
O vereador quando se desloca ele está representando a população. Ela vai lá buscar para a comunidade, e não pra ele. Ele tem que fazer esse papel. Porque, embora os fofoqueiros não acreditem nele, o eleitor dele acredita. E nós vamos continuar fazendo. O dia que eles acharem que não tem que fazer mais, vá à justiça, pega uma determinação que é ilegal, e aí traz nessa Câmara e nós nunca mais faremos. Mas, traz julgado por um colegiado, não por um juiz só.
Vivemos num país rico e abençoado por Deus. Mas, essa conta não vai fechar nunca. Precisa urgentemente três medidas: diminuir a roubalheira, tomar vergonha na cara. E fazer a reforma da máquina pública e também fazer a reforma política, porque o modelo que aí está, uma verdadeira anarquia, um poder interferindo no outro, ninguém mais entende nada e o povo pagando a conta.
Os governadores precisam acompanhar o presidente que zerou os impostos do gás e da gasolina e do óleo diesel. Não vou dizer que o Estado tem que tirar 100%, mas ele tem que baixar.
O dia de ontem foi um dia de marco. Hoje o congresso está fechado, o Senado, o supremo. Nós até nos acovardamos com aqueles que foram lutar pela nossa independência. Mas aqui, de alguma forma, fazendo com que esse pessoal acorde e que nós sejamos verdadeiramente independentes”.
DHONATAN PAGANI
“Eu disse essa frase no comecinho do ano, e esse é o momento extremamente oportuno para repeti-la. “A liberdade é cortada em finas fatias assim como se corta um salame”, já disse Friedrich Von Hayek, economista austríaco que soltou essa frase há anos atrás.
E essa é a maior verdade. No Brasil hoje, a sua liberdade é cortada em finas fatias assim com se corta um salame. Aos poucos. Opinião virou crime. Ir à internet, usar as redes sociais para emitir opinião, independente de qual lado você esteja, virou crime. Falaram tanto da ditadura e hoje existe crime de opinião, que é o que estão fazendo com muitas pessoas. Uma coisa, obviamente, é a incitação; outra é você dar a sua opinião, se manifestar em cima de uma pauta, e ser punido de forma injusta por uma corte, que como o vereador Pedrinho disse, se esbalda com o dinheiro público e se sente o rei de toda a democracia.
E a nossa democracia se encontra extremamente fragilizada nesse sentido. Pois os poderes estão basicamente em guerra. Não por conta do sistema em si, mas por conta de um único homem sentado com a toga preta nas costas achando que é ele quem vai mandar no Brasil.
De forma lúdica, essa situação não se distancia de lugares e dos municípios a fora, onde homens, por ocupar espaços de poder acreditam que eles são os donos de todas as coisas. Que são eles que mandam em todas as coisas, e que ditam todas as regras. Não é assim que funciona. Não é assim que se governa um país, não é assim que se governa um judiciário ou se administra uma Câmara. Vivemos em um país democrático, o diálogo é necessário. Mesmo que sejamos contra, não compreendamos, não entendamos ou que não gostamos da opinião do próximo. Isso se chama liberdade. E um país não se fortalece sem liberdade.
Isso não é diferente na nossa realidade. Onde quando vêm alguns projetos, ou diversas outras situações, nós sentimos uma pressão gigantesca por parte de alguns setores, em induzir, coagir, em forçar para que determinada situação aconteça. O que acontece hoje no Brasil, não é diferente em estados e não é diferente em municípios.
O povo brasileiro tem que ir as ruas, se manifestar, falar naquilo que acredita. Seja qual seja a sua opinião. Mas, é necessário você pô-la em cheque. E não ficar escondido. É muito fácil se esconder atrás de telas, ou se esconder atrás de narrativas e não colocar a cara a tapa e dizer de fato porque lutar por aquilo que você acredita. Isso é covardia: usar ferramentas, instrumentos e pessoas; não colocar a sua cara e falar: eu penso assim, é nisso que eu acredito, é isso que eu defendo”.
Autor:
Rogério Perucci
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 09 de Setembro de 2021, às 16:09