Vereadores e prefeitos do Cone Sul participaram do evento


Presidida pelo deputado Dr. Neidson (PMN), aconteceu no Plenário da Assembleia Legislativa, reunião da Comissão de Saúde, Previdência e Assistência Social (Cspas) nesta quarta-feira (18) com a presença de vereadores e prefeitos dos municípios do Cone Sul do Estado para debater a situação do Hospital Regional de Vilhena (HRV).
A reunião é parte do desmembramento da visita técnica realizada pela Cspas em Vilhena e que constatou a situação caótica pela qual passa a saúde na cidade, tendo a prefeitura assumido o atendimento da média e alta complexidade, o que deveria ser feito pelo Estado. Como não há unidade hospitalar mantida pelo governo do Estado, coube à prefeitura os serviços mediante repasses de convênios, os quais sempre atrasam, comprometendo os atendimentos.
Segundo o prefeito de Vilhena, Zé Rover (PP), o município investe na saúde, com custos diretos mais de R$ 8 milhões ao mês, entre manutenção e folha de pagamento e impostos federais.
Para se ter uma ideia da importância da manutenção desta unidade hospitalar na região, verificou-se em 2014 a realização de mais de 14 mil exames de ultrassonografia, mais de 10.800 eletrocardiogramas e 67.800 radiografias. “Somente o pronto socorro do hospital atendeu 80 mil pacientes em 2014”, afirmou Rover.
O prefeito vilhenense também fez apresentação da prestação de contas da saúde local no período de 2009 a 2015. Salientou que o município trouxe para si a responsabilidade de vários procedimentos, entre eles de média e alta complexidade e não obteve do Estado e da União os repasses necessários, tendo ainda, com a crise econômica, reduzido repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).
Até o ano de 2012, do total investido na saúde os percentuais eram de 65% do município, 4% do Estado e 30 % da União. Em 2013, os percentuais foram 54%, 5% e 41%, respectivamente. Em 2014, 49%, 8% e 43% e, em 2015, 53%, 6% e 41%. “Coube sempre ao município a maior parte do custo da saúde, o que onera os cofres públicos, especialmente com os atrasos nos repasses dos convênios”, disse Rover.
O prefeito salientou também que, além de Vilhena, são atendidos vários municípios da região e alguns da Bolívia. Dos partos realizados no Hospital Regional, somente 40% são do município. Os outros 60% são de outras localidades.
Rover mostrou que o município possui várias obras em andamento e em fase final de construção ou de aquisição de equipamentos, como uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), um Posto de Saúde no Setor 12, a Casa do Parto Normal, o Laboratório Municipal, o Centro de Especialidade em Reabilitação (CER) e a Oficina Ortopédica, destinada para a confecção de órteses e próteses.
O prefeito salientou que para tocar toda esta estrutura não poderá mais arcar com as despesas do Hospital Regional e pede providências, para que os deputados ajudem o município na solução destas questões. “Tirando o HRV dos custos do município, é perfeitamente viável tocar todas as outras unidades com tranquilidade”, informou.
A vereadora vilhenense professora Valdete Savaris (PPS) enfatizou que sem a ajuda do Estado, a saúde da região ficará comprometida e poderá até fechar as portas, pois o município sozinho não conseguirá atender a demanda. “O HR de Vilhena é muito importante para todo o Cone Sul de Rondônia e não podemos deixar que feche”.
A vereadora de Pimenteiras, Valéria Garcia, ressaltou que fica muito caro para o município transportar pacientes e acompanhantes para a Capital só para fazer um exame que poderia ser realizado na região, pois mesmo tendo o equipamento em Vilhena não é possível o procedimento, pois falta o profissional da área.
O deputado Luizinho Goebel (PV), um dos parlamentares que provocaram a reunião da Comissão de Saúde em Vilhena, juntamente com a deputada Rosângela Donadon (PMDB), após ouvir os depoimentos, disse que o governo Federal, ao invés de criar incentivos para redução de impostos para veículos novos e, no caso de Rondônia, para os frigoríficos, deveria era criar incentivos para baratear os custos de medicamentos e tabelar os preços, pois sem carro e com redução do consumo de carne se vive, mas sem auxílio médico, não.
Goebel lamentou que “já estamos no meio do ano e o governo do Estado,  através da Sesau, ainda não encontrou uma forma para aquisição de medicamentos para atender ao Hospital Regional. O Estado ainda não conseguiu adquirir um novo e moderno aparelho de Raios-X para atender ao município, fruto de emenda parlamentar de 2014 e até agora não  comprado”.
Luizinho disse que a prefeitura tem de assumir a sua responsabilidade que é a UPA e os postos de saúde e entregar as chaves do Hospital Regional de Vilhena para o Estado, que de fato deveria tocar a unidade de saúde.
Ao final, como encaminhamentos, Dr. Neidson disse que irá agendar reunião com o secretário de Saúde, Williames Pimentel e equipe para levar as demandas do município de Vilhena, entre elas a proposta de cursos de ATLS e ACLS para capacitar socorristas e melhorar o atendimento aos cardíacos e aos casos de primeiros socorros.
Outras demandas que serão discutidas será a regularização dos exames, que a Sesau informe os repasses feitos e o que está em atraso ao HRV, pedido para a agilidade na aquisição de medicamentos, o mutirão de cirurgias para atender pacientes de toda a região que estão marcadas e em atraso (em torno de 1.500 procedimentos cirúrgicos), bem como discutir os custos de transporte de passageiros da região para vir realizar procedimentos e exames em Porto Velho.