Vereadores ameaçaram não votar mais projetos enquanto tributo não for reduzido
Numa sessão que durou quatro horas, das 19h às 23h04, nesta segunda, 20, os vereadores de Cerejeiras começaram o ano legislativo sob pressão popular. Foi a primeira sessão ordinária dos novos vereadores e, por sinal, uma reunião que contou com o maior público presente. Segundo um vereador ouvido pelo FOLHA DO SUL ON LINE, foi a mais polêmica sessão da história do município.
Segundo estimativas, de 300 a 500 pessoas compareceram à sessão ordinária da Câmara nesta segunda. A razão do comparecimento de tanta gente à reunião dos vereadores era uma só: a “taxa do lixo”.
Populares compareceram ao evento protestando contra o valor do tributo, cujo carnê está sendo distribuído na área urbana de Cerejeiras.
Mas o assunto “taxa do lixo” só foi discutido pelos vereadores após o “término” da reunião propriamente dita, quando o presidente da Casa, Saulo Siqueira (PTB), encerrou a sessão e deu início ao que chamou de “debate”.
Populares, então, fizeram diversas perguntas aos agentes públicos presentes na reunião. A vice-prefeita Lisete Marth (PV), que compareceu ao debate, foi o alvo preferido dos questionamentos, respondendo todos eles. Por causa de um acidente rural ocorrido no final de semana, o prefeito Airton Gomes (PP) não compareceu à sessão.
Também na sessão e no debate, vereadores da oposição ao prefeito, como Pedrinho Alves (PMDB) e Valdecir Sapata (PSB), fizeram discursos inflamados contra o mandatário, acusando-o de agir de “má fé”. O jovem vereador DJ Samuka também foi enfático em pedir a redução da taxa do lixo, embora não tenha tecido críticas ao prefeito.
O ponto mais crítico da reunião entre vereadores e populares ocorreu no final, quando o vereador Pedrinho Alves, de microfone na mão, fez uma sugestão aos colegas: “Sugiro que façamos aqui um compromisso de ninguém de nós votar nenhum projeto do Executivo enquanto o prefeito não negociar com a gente”, disse. Todos os vereadores sinalizaram com a cabeça que aprovaram a sugestão.
Sem solução até o final, a reunião terminou depois das 23h00, quando um bom número de populares ainda estavam no auditório da Câmara. A única solução encontrada até então foi que se formasse uma comissão com representantes sociais para conversar com o prefeito Airton Gomes sobre o caso.