“É preciso esquecer prefeito A ou B, deixar de lado as preferências e focar no objetivo”
Se tem uma palavra para definir a sessão desta terça-feira, 16, da Câmara Municipal de Vilhena, com certeza não é tranquilidade. Tensão, talvez. O clima já subiu durante os primeiros minutos de sessão, quando o vereador Rafael Maziero (PSDB) falava sobre a implantação de quebra-molas na BR-364, nas proximidades dos postos de combustíveis Bodanese e Catarinense, local crítico na ocorrência de acidentes, e o vereador Carlos Suchi (PTN) pediu um aparte para mais uma vez cobrar do prefeito Eduardo Japonês (PV) a nomeação de um secretário de Trânsito.
Após a fala de Suchi, foi a vez do vereador França Silva (PV) apartear e se dirigir diretamente ao ex-policial militar para questionar sobre se ele (Suchi) teria alguém realmente qualificado para assumir o cargo. Suchi disse que sim e citou Rossi e Teixeira, ambos já atuando no trânsito, hoje submetido à SEMOSP.
França tomou novamente a palavra e questionou se os citados têm competência não poderiam ter uma atuação mais dinâmica e efetiva na busca por soluções para o trânsito. Suchi retomaria a palavra, mas foi interrompido pelo presidente Ronildo Macedo (PV) que explicou que o regimento interno da Câmara prevê que cada vereador tem direito a um aparte.
Quando a palavra retornou ao vereador Maziero, que assistiu ao diálogo dos colegas do púlpito, ele sugeriu a convocação de uma audiência pública para debater o trânsito vilhenense.
Depois, durante o discurso do vereador Suchi, que apresentou cinco requerimentos, que foram aprovados, nova tensão. O vereador falava sobre um projeto enviado pelo Palácio dos Parecis ao Legislativo, e que estava na pauta para leitura, como manda o regimento; e que poderia prejudicar os técnicos de enfermagem; quando foi interrompido pelo enfermeiro Caio Mendes, que pedia respeito com a classe alegava que o problema com a saúde é a gestão, não os técnicos de enfermagem.
Mais uma vez o presidente Ronildo Macedo interveio, pedindo ordem na Casa, e ouviu do enfermeiro: “Tem que ter ordem é na prefeitura, senhor presidente”.
Indignado, o profissional da saúde deixou o auditório da prefeitura, onde as sessões legislativas acontecem provisoriamente até o término da reforma do prédio da Câmara Municipal, gritando: “Respeitem a gente, porque a gente é tratado como lixo. Tchau pra vocês”
Um dos últimos a falar foi o vereador Samir Ali (PSDB) que, de forma indireta, falou sobre o requerimento apresentado por Suchi e que pede ao Executivo informações sobre o Plano de Cargos Carreira e salários dos servidores municipais. “É preciso esquecer prefeito “A” ou “B”, deixar de lado as preferências e focar no objetivo, que é a valorização do servidor; nós estamos aqui para dar apoio para buscar as melhorias dentro da nossa realidade, não da boca pra fora, gritando ou qualquer coisa do tipo. Eu entendo esse servidor (se referindo ao enfermeiro Caio), eu compreendo a indignação dele com esse projeto. Mas, eu conversei com o secretário, que me explicou que o intuito do projeto era permitir que os técnicos em enfermagem pudessem fazer mais que 10 plantões. Seria uma questão de plantões extras. No entanto, talvez por erro na elaboração, não é isso de fato que está no projeto. Mas, não se preocupem, ele ainda vai ser submetido às comissões”, disse.
Samir Ali lamentou o descrédito que a classe política vive, e disse que esse momento crítico faz com que algumas pessoas apontem o dedo para um ou para outro injustamente. “Porque eu, particularmente não fiz outra coisa nesta casa aqui, a não ser buscar melhorias, inclusive salarial, para os servidores. Eu trabalhei, e me orgulho disso, da mesma forma quando a Rosani estava a frente do Executivo, como agora na gestão do Eduardo Japonês”, disse, destacando conquistas tanto na época da ex-prefeita Rosani Donadon, como a equiparação dos servidores da educação, de 30 e 40 horas; como na atual gestão do prefeito Eduardo Japonês.
Ali finalizou afirmando: “O objetivo tem que ser coletivo, e não muitas vezes torcendo para que aquilo não dê certo para que prometa que o fulano que vai entrar vai fazer”.
Autor:
Rogério Perucci
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 17 de Abril de 2019, às 12:20