“Acredito que, mesmo de pessoas fora da esquerda, a gente vai ter muitos votos.”
 
Na reta final da campanha eleitoral que escolherá o chefe do Poder Executivo da maior cidade do Cone Sul de Rondônia, dona de uma das maiores arrecadações do Estado, o FOLHA DO SUL ONLINE traz uma série de entrevistas com os candidatos a ocuparem a cadeira do Palácio dos Parecis. Nesta quinta-feira é a vez do candidato do Partido dos Trabalhadores (PT), o jornalista Alan Souza. Ele falou sobre a campanha, a aceitação da população às ideias apresentadas e dos projetos que pretende desenvolver, caso seja eleito.
 
Alan confidenciou que, ao aceitar a indicação para concorrer a Prefeitura, abriu mão de um projeto pessoal: a candidatura à Câmara de Vereadores. “Eu tinha, desde 2017, projetado concorrer a vereador este ano. Então, eu já vinha estudando bastante, buscando conhecimento sobre políticas públicas, analisando como são as decisões neste espaço político”, revelou.
 
Alan declarou que durante os seus estudos, percebeu que o único partido no qual conseguiria não apenas a identificação pessoal com algumas bandeiras específicas, como na questão de uma educação que qualifique a pessoa para a sua emancipação social, direitos humanos, principalmente das minorias; ver a segurança pública não apenas como lei e ordem, mas também como uma política pública social, mas seria o PT, que segundo ele, tem autonomia.
 
“São com essas questões com as quais me identifico, e foram elas que me trouxeram ao PT. E, além disso, saber que os partidos tradicionais de Vilhena já estão loteados e têm donos, e são esses donos que escolhem quem serão candidatos. Ao contrário do PT, aqui a gente escuta a nossa base, as decisões veem da nossa base”, declarou.  
 
Alan Souza falou também sobre como tem desenvolvido a sua campanha com recursos ínfimos e como tem sido a aceitação do público aos projetos propostos por ele. “Como a gente tem pouco recurso financeiro, nossa campanha recebeu apenas R$ 32 mil do Fundo Partidário para a campanha majoritária, assim como nossos candidatos a vereadores também receberam uma quantia bem pequena; a gente priorizou as visitas. Conseguimos reunir bastante da nossa base antiga, fomos atrás das nossas figuras históricas que nos indicaram aonde estavam antigos petistas. Fizemos um trabalho de resgate, e com isso, com a mídia que a gente foi tendo ao longo da campanha, conseguimos também que outras pessoas descobrissem que o PT em Vilhena existia. Pessoas que se identificam com essas bandeiras que eu citei”, disse.
 
Souza revelou ainda que esse esforço conseguiu reunir um número de pessoas bastante interessante, inclusive para fazer a política do corpo-a-corpo. “Como a nossa diretoria é de apenas cinco pessoas, era humanamente impossível andar Vilhena inteira com o pouco recurso que a gente teve a disposição. Então, essa base que a gente foi conquistando, fez esse trabalho de ser a nossa representação em diversos locais de Vilhena, como no São Lourenço e nos assentamentos. Então conseguimos estar em vários lugares, não fisicamente, mas com representantes que levavam as nossas ideias de forma voluntária”, confidenciou.  
 
Durante a conversa, o candidato do PT afirmou que “esse radicalismo de internet que a mídia alardeia tanto, na vida real ele não existe.” Alan assegurou que foram poucas as vezes que encontrou pessoas que foram mais ríspidas. “Mas nada que passasse do limite. Muito pelo contrário, tivemos uma aceitação muito grande de pessoas que, mesmo falando não gostar do PT, se identificavam com os problemas que nós relatamos e com as soluções que nós acreditamos serem necessárias e viáveis. Então, foi muito mais do que uma campanha petista, foi uma campanha que encontrou realmente pessoas que estão dentro da mesma Vilhena, da Vilhena real, e por isso eu acredito que, mesmo de pessoas fora da esquerda, a gente vai ter muitos votos.”
 
Alan Souza analisou o cenário da eleição proporcional e acredita que o PT tem chances reais de eleger um vereador em Vilhena. “Eu acredito que a gente tem condições de eleger um vereador do PT e, muito provavelmente, consigamos eleger um dentro da federação.”
 
Pensando na possibilidade de se eleger, Alan de Souza disse que buscará realizar uma administração mais social e humanizada. “A gente entende que a bandeira que a maioria dos políticos usa hoje em dia, é a bandeira da construção: asfalto e concreto. Nós queremos evoluir os indicadores sociais. Nós queremos evolução nos indicadores de educação, de saúde, qualidade de vida. Isso não se faz apenas com concreto, não se faz apenas com asfalto; mas com a criação de programas sociais que permitam que a infraestrutura tenha a sua eficiência total. Não basta você ter um prédio bonito, se o setor público não tem a eficiência para arrancar 100% da capacidade daquela estrutura. O nosso projeto é eficiência. E pra isso, o que vamos fazer é uma minirreforma, uma reorganização administrativa. Por exemplo, a Secretaria Governamental, vamos extingui-la e passar essa função para a chefia de gabinete; e no lugar dela a gente vai criar a Secretaria de Segurança Urbana que irá planejar e efetuar as ações que o município precisa como a Guarda Municipal e a Guarda Municipal Guardiã específica para proteção das mulheres. E a criação dessa secretaria se justifica porque a cidade registrou nos últimos anos aumento em todos os indicadores de violência”, declarou.  
 
Alan também citou outra mudança. Essa referente ao turismo que, conforme falou o candidato, “hoje está esquecida dentro da Secretaria de Indústria e Comércio”. A ideia é transferir o turismo para a pasta do meio-ambiente para desenvolver projetos voltados para o ecoturismo. “Mesmo ela estando inserida na Pasta do Meio Ambiente, a Secretaria de Turismo terá uma superintendência que irá planejar questões fora do ecoturismo”, afirmou.
 
Alan disse que todas essas mudanças para a reorganização administrativa visam trazer eficiência e colocar Vilhena dentro do padrão administrativo do século 21.
 
Alan afirmou que quando se refere a eficiência, ele sabe que isso passa pela contratação de novos servidores, pela capacitação dos atuais e também pela valorização financeira, com a melhoria salarial.
“Primeiro que a gente sabe que há uma deficiência numérica de servidores. A gente vai fazer um levantamento para saber quantos portariados de fato são necessários. Como a gente não tem compromisso político com vereador, deputado, governador, nós vamos ter total autonomia para nomeação de comissionados”, declarou Alan que, ainda falando sobre servidores, disse que também irá analisar as questões dos concursos públicos. Ele afirmou que não adianta falar em aumentar o número de vagas em escolas e creches se não aumentar o número de servidores. “Não faz sentido falar em aumento de vagas em escolas e creches sem aumentar o número de servidores. Se isso acontece, você vai sobrecarregar o servidor que já está sobrecarregado”, argumentou
 
Finalizando a conversa, Alan deixou um recado aos eleitores. “Eu queria falar, principalmente para quelas pessoas que durante essa campanha viram em mim uma pessoa que tem capacidade, mas que acreditam que não tenho força política porque não tenho apoio de deputados. Eu quero deixar vocês tranquilos porque temos apoio do Governo Federal, prova disso são as participações na nossa campanha, como a ministra da Saúde, Nísia Trindade, e do Superintendente de Desenvolvimento Agrário, Gervano Vicente. Temos o Governo Federal, e os deputados e senadores que foram eleitos por Vilhena e pelo Cone Sul; eles não vão abandonar Vilhena. O compromisso deles não é com uma figura física, o compromisso deles é com a cidade, é com o eleitor. Podem ficar tranquilos e votem na pessoa que você realmente sabe que representa aquilo que você acredita ser bom para Vilhena. Uma Vilhena com justiça social, uma Vilhena com equidade e que realmente inclua a todos.”