Droga destruída foi apreendida pela polícia em Pimenteiras
Quando a polícia faz uma operação de sucesso contra o tráfico de drogas, duas ações posteriores são necessárias: os traficantes são presos e o entorpecente é destruído. Nesta reportagem especial, o FOLHA DO SUL ONLINE mostra aos seus leitores o destino que a polícia dá às drogas apreendidas.
A reportagem do site acompanhou a incineração de 11 pacotes de pasta base de cocaína em Cerejeiras, que ocorreu na manhã de ontem (quinta-feira), 24. O repórter do FOLHA recebeu autorização das autoridades policiais para acompanhar o passo a passo do procedimento.
Os pacotes de droga mostrados nesta reportagem foram apreendidos em Pimenteiras, na “Operação Independência”, realizada na semana passada, e que resultou na prisão de pelo menos cinco traficantes. A droga era comprada pelos criminosos em portos clandestinos do rio Guaporé, trazidas por traficantes bolivianos e trocadas, geralmente, por motos roubadas no Cone Sul. Cada pacote da pasta base de cocaína mostrada nesta reportagem vale, no mercado criminoso, por volta de R$ 8 mil cada ou é trocada por uma moto nova.
Para a polícia realizar a incineração, foi feito o seguinte procedimento: o delegado da Polícia Civil de Cerejeiras, Rodrigo Spiça, enviou ofícios à Justiça, pedindo autorização para destruir o carregamento. A autorização foi concedida e deu-se, então, a etapa seguinte do procedimento, que é a reunião de testemunhas para o ato. O Ministério Público no município enviou um representante e a Prefeitura de Cerejeiras mandou um vigilante sanitário para acompanhar o processo de dar fim ao entorpecente apreendido. Policiais militares também participaram da queima total da droga.
Logo após esses procedimentos legais, os policiais civis, acompanhados pelo delegado, representantes de instituições e testemunhas (que podem ser populares) levaram a droga para uma fábrica de tijolos, afastada da área urbana de Cerejeiras.
Ao chegar ao forno da fábrica, cuja fornalha tem uma temperatura que pode chegar a mil graus, a droga é pesada novamente, conferida a quantidade de pacotes, cortada ao meio, cada tablete com um facão, e então colocada na fornalha ardente. Ao ser partida com a faca, a droga tem um aspecto de sabão em barra. Com essa pasta base da coca, é feita a cocaína e, com o borrão de sobra, é feito o crack e até o oxi, outra substância ainda pior.
O processo é acompanhado por testemunhas, além de ser filmado e fotografado. Toda a droga foi totalmente consumida pelo fogo, como a própria reportagem pôde acompanhar. Logo em seguida, as testemunhas assinam um documento declarando o que viram no ato.
Ao ser lançada na fornalha, depois de alguns instantes, tudo o que sobrou dos 11 quilos de pasta base da coca foi um tufo de fumaça preta levantada pelo ar e uma pequena borra de cinza no chão: um destino muito melhor do que se esse poderoso entorpecente fosse parar no organismo de algum ser humano.