O governador Confúcio Moura (PMDB) postou no blog que mantém na internet uma série de avisos aos servidores de sua administração. Alertando sobre a falta de cuidados com ações corriqueiras no serviço público, o mandatário falou sobre as conseqüências de atos ilegais, principalmente em funções comissionadas. Abaixo, a íntegra do post:
“Se quer saber o imenso valor das insignifâncias leia o poeta pantaneiro Manuel de Barros. Sobre grilos, gafanhotos, lesmas, jacarés, garças, lixo, grotas, converseiros travados de dialetos locais.
O meu dialeto aqui é outro. O rolo que se entra concedendo diárias indevidas, passagens aéreas, suprimentos de fundo, ficha de ponto vazia, comissionados sem endereço de lotação. Gente que ganha sem trabalhar. Também estas “comprinhas” apressadas com dispensa de licitação.
A coisa vai acontecendo. Tudo parece muito fácil. Me dá isto e me dá aquilo. Só tem uma coisa, o tempo passa e lá na frente o seu querido pescocinho vai parar na guilhotina. E aí meu dileto ordenador de despesa, você vai morrer sozinho. E vapt. Degoladíssimo. E quem tiver cargo eletivo, reze para não perder seu mandato, ganhado na maior luta em campo aberto. Justamente por coisas pequenas. Aparentemente insignificantes.
Quando você sair do seu carguinho atual, que você pensa eterno e cai no mundo real, das ruas e das vivências duras, aí meu caro amigo, só lhe sobra a solidão. As portas se fecham. Não tem acesso a processos. Só com advogado. E é caro. Ninguém mais lhe dá bolas. Salvo se tiver deixado “ao menos” um amigo. E se tiver. Para lhe dar o ombro para você chorar.
Não há insignificâncias no serviço público. Tudo é importante. O sapo é importante, a cobra, a lagartixa. Amigo de verdade no serviço público não terá. Só conhecidos. Amigo de verdade é aquele que tinha antes do cargo. Esta onda bajulatória é ilusão. Este oba-oba passa como o vento. Carguismo de fácil nomeação, pra aqui e pra ali também. Enfrente a realidade nua crua. Faça o que for certo, e tudo é muito significativo. Não tem tamanho dos atos no serviço público, tudo é muito. O processo é que fala, muito tempo depois e friamente.
Estou aqui, de regresso, para lhe abrir os olhos”.