Réu acusou o homem que ele matou de ter atirado contra a própria esposa, de 15 anos
 
 Durou mais de 7 horas o julgamento de Wesley do Nascimento de Souza, de 28 anos, acusado de matar a tiros, em dezembro de 2018 ,o casal Abrão Fernandes da Silva, 29, e Geovana Assis Costa, 15. Os dois foram assassinados quando saiam de casa, no bairro Bela Vista, para irem trabalhar.
 
O crime aconteceu por volta das 07h30 da amanhã do dia 13 de dezembro e, de acordo com os autos, “Ceará” como Wesley é conhecido, desde que se apresentou, quando já tinha mandado de prisão contra ele, confessou o assassinato de Abrão, mas negou ter atirado em Geovana, acusando Abrão de ter matado a esposa. Versão que manteve hoje, quando foi julgado por duplo homicídio duplamente qualificados por motivo torpe e recurso que dificultou a defesa das vítimas.
 
No entanto, durante sua explanação, o Promotor de Justiça João Paulo Lopes, que levou aos jurados uma explicação da dinâmica dos fatos, relatou que houve premeditação do crime, uma vez que Wesley tomou por empréstimo o veículo que usaria no assassinato; que ele foi armado e permaneceu por cerca de duas horas e meia na frente da casa das vítimas aguardando que elas saíssem para o trabalho; abordou as vítimas e atirou nelas. “Foram 14 tiros em Abrão, a maioria nas costas e cabeça; e três em Geovana”, disse Lopes.
 
O promotor apresentou ainda o relato de uma testemunha, cuja identidade é mantida sob sigilo para a proteção dela e da família, que desmente a afirmação de Wesley, de que não matou Geovana.
 
Segundo a testemunha, que morava na casa ao lado das vítimas, ela estava dormindo, quando foi acordada pelos tiros, foi até a porta de vidro que dá acesso para a rua, viu Geovana caída já ferida bem próxima a sua porta (de vidro fumê o que não permitia que se visse de fora para dentro) e escutou os tiros que mataram Abrão. Após um breve intervalo, ela viu quando Wesley se aproximou de Geovana e disparou na cabeça dela. Em seguida foi até o carro e saiu e do local.
 
O Promotor de Justiça disse aos jurados não ter ficado claro a motivação do crime, e por isso pediu que não reconhecessem a qualificadora de motivo torpe, condenando o réu por duplo homicídio qualificado por recurso que dificultou a defesa das vítimas.
 
O advogado de defesa, Márcio de Paula Holanda, sustentou as teses de negativa de autoria em relação a morte de Geovana, e de homicídio privilegiado em relação a morte de Abrão. Para Holanda, Wesley, que disse ter ido até lá apenas para conversar com Abrão, que o estaria ameaçando de morte, ficou sob domínio de violenta emoção logo após injusta provocação. A injusta provocação, segundo Holanda, seria o fato de, segundo a versão do réu, Abrão ter sacado a arma e em seguida atirado em Geovana. “Ele foi pra conversar, aí o Abrão sacou a arma, Geovana tentou impedir, Abrão a empurrou e atirou nela, então o meu cliente foi até o carro e pegou a arma a atirou nele, reagiu à injusta provocação”, disse.
 
A tese de homicídio privilegiado, que não havia sido defendida antes, aliado as afirmações da defesa, que buscaram minimizar importância da testemunha que viu Wesley atirando em Geovana, trouxeram de volta o Promotor para a réplica.
 
Lopes reforçou a importância de uma testemunha ocular, disse da incoerência da afirmação de que Abrão tenha matado a própria esposa; e rechaçou a hipótese de homicídio privilegiado. “Ele anteviu toda a situação, ele premeditou tudo, aguardou por cerca de duas horas e meia; e acertou 14 vezes em Abrão e três em Geovana”, reafirmou.
 
Na tréplica, Holanda reforçou as suas teses e pediu a absolvição da acusação de homicídio em relação a Geovana, o reconhecimento do homicídio privilegiado em relação a Abrão; e ainda que não se reconhecessem as qualificadoras.
 
Passava das 16 horas quando os jurados foram para a sala secreta para responder duas séries de quesitos. Uma sobre a morte de Abrão, com seis quesitos; e outra tratando do assassinato de Geovana, com inço quesitos. O resultado foi a condenação do réu por duplo homicídio qualificado por recurso que dificultou a defesa faz vítimas. A pena, dosada pela Juíza Liliane Pegoraro Bilharva, que presidiu o conselho de sentença, foi e 19 anos e 10 meses de prisão.
 
Clique nos links abaixo e relembre tudo o que o FOLHA DO SUL ON LINE publicou sobre o caso
 
Link duplo homicídio:
 https://www.folhadosulonline.com.br/noticias/detalhe/2018/casal-e-executado-varios-tiros-pistola-em-vilhena-exmarido-e-principal-suspeito-do-crime
 
Link vítimas identificadas: https://www.folhadosulonline.com.br/noticias/detalhe/2018/desdobramentos-identificado-casal-executado-tiros-em-vilhena-adolescente-morta-tinha-apenas-16-anos
 
Link imagens de câmeras leva à suspeito: https://www.folhadosulonline.com.br/noticias/detalhe/2018/em-primeira-mao-imagens-cameras-levam-policia-identificar-homem-que-matou-casal-tiros-em-vilhena
 
Link versão do suspeito:
https://www.folhadosulonline.com.br/noticias/detalhe/2018/autor-duplo-homicidio-em-vilhena-revela-que-arma-vitima-foi-usada-contra-ela-e-que-adolescente-foi-pivo-tragedia
 
Link suspeito se apresenta:
https://www.folhadosulonline.com.br/noticias/detalhe/2018/homem-que-assumiu-ter-matado-exnamorada-adolescente-e-atual-marido-dela-se-apresenta-na-policia-em-vilhena
 
Link suspeito faz revelação:
https://www.folhadosulonline.com.br/noticias/detalhe/2018/acusado-matar-casal-em-vilhena-faz-revelacao-surpreendente-que-levar-policia-desvendar-outro-crime-violento
 
Link suspeito assume morte de rival, mas nega ter matado a ex
https://www.folhadosulonline.com.br/noticias/detalhe/2018/novas-revelacoes-homem-assume-morte-rival-em-vilhena-mas-nega-ter-matado-exnamorada-16-anos
 
Link garota morreu por está no lugar errado
https://www.folhadosulonline.com.br/noticias/detalhe/2018/policia-conclui-garota-15-anos-assassinada-tiros-junto-namorado-em-vilhena-morreu-por-estar-no-lugar-errado