O drama da família Tavares, que há muitos anos reside em Vilhena,  teve início na última terça-feira (28), quando uma irmã da servidora pública Eunice Lemos Tavares, de 56 anos, recebeu um telefonema de médico boliviano,  avisando ela havia falecido. A funcionária pública havia se submetido a uma cirurgia estética, no município de Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia.

Segundo a filha de Eunice, a advogada Rosângela Lemos, de 34 anos, o médico que realizou o procedimento relatou aos familiares que a cirurgia havia sido um sucesso, mas Eunice teria tido complicações pós-cirurgia e, devido a uma insuficiência respiratória, o cérebro dela teria parado de oxigenar, o que teria causado sua morte cerebral.

Rosângela contou que, em conversa com o médico boliviano, os familiares disseram que iriam para o país vizinho tratar da questão funerária. O profissional de saúde teria dito à família para não se preocupar, pois a clínica se responsabilizaria pelo traslado do corpo até Vilhena.

Na quarta-feira (29), depois que a imprensa local já havia divulgado a morte da funcionária pública e os parentes já se preparavam para o velório, uma nova ligação informou à família que Eunice não havia morrido, mas estava internada na UTI.

Rosângela disse que entraram em contato com o médico de Eunice na Bolívia, e ouviram dele que embora o coração dela estivesse batendo, não havia mais atividade cerebral, e que os sinais vitais apresentados pela paciente são somente em virtude dos aparelhos que a mantém respirando.               

No entanto, ele acrescentou que novos exames serão feitos para comprovar, ou não, a morte cerebral.

Rosângela disse que a família está esperando os resultados dos novos exames para poder decidir o que fazer.

A advogada contou que uma irmã de Eunice viajou para a Bolívia para auxiliar o marido dela, que a acompanha. “Ele está muito fragilizado e angustiado devido aos acontecimentos”.

Eunice chegou a Santa Cruz de La Sierra na manhã da quinta-feira (23). Sua cirurgia estava marcada para o dia seguinte, mas foi adiada porque o cirurgião realizou na quinta uma operação numa paciente, também Vilhenense, que durou 12 horas e achou por bem dar um intervalo entre uma e outra. Assim remarcou para a segunda-feira (27) o procedimento cirúrgico de Eunice.

Teria sido a acompanhante dessa outra paciente Vilhenense que alertou o marido de Eunice que ela ainda estava viva.

Os familiares estão desnorteados e angustiados com a situação. “O que podemos fazer agora e esperar até que saiam os resultados dos exames para podermos tomar decisões”, disse Rosângela.