Já faz dois dias que 76 índios de 17 etnias estão acampados na sede da Funasa (Fundação Nacional de Saúde), em Vilhena. Os cerca de 20 servidores lotados na Funasa não estão trabalhando e o local está sendo cuidado pelos próprios indígenas e por um vigilante. A Polícia Federal solicitou aos índios que desocupassem o imóvel, mas não tomou nenhuma providência neste sentido. Por ora, apenas conversou com as lideranças. Os índios reclamam que a Casai (Casa de Saúde Indígena), mantida pela Funasa a 5 km do centro, está sem estrutura: faltam médicos, enfermeiros e material adequado para o atendimento dos doentes. “Meu marido está jogado no chão, sem colchão, como se fosse cachorro, há quase um ano”, reclamou uma índia. O grupo garante que, só neste ano, nove índios morreram por falta de cuidados adequados. Uma mãe chegou a chorar por causa da morte de seu bebê. “O mesmo sangue que corre na nossa veia e o mesmo ar que respiramos é o que vocês precisam. Não estamos roubando, tratamos todos com amor, mas queremos também o amor do povo da cidade. Nos ajudem”, disse uma índia, se dirigindo às autoridades presentes. O secretário municipal de Saúde, Agenor de Carvalho, foi ao local e mostrou documentos aos líderes indígenas garante que a prefeitura tem feito sua parte. “Firmamos um convênio com a ONG Asdefal, de Cacoal (RO), que recebe R$ 114 mil da União e uma contrapartida de R$ 11 mil mensais da Prefeitura para manter médicos, enfermeiros e outros servidores da Saúde exclusivos para o atendimento da Casai”, afirmou Agenor. Os índios requerem a presença da coordenadora regional da Funasa, Alda Uchôa, para prestar esclarecimentos sobre o referido convênio. “Não saímos daqui antes dela chegar”, gritaram os índios.