Nas últimas, o Hospital Regional de Vilhena vem atendendo uma média diária de mais de 10 indios de várias etnias da região. Na última quarta-feira, dia 26, havia 8 nativos internado na unidade. A presença de tantos silvícolas, com seus hábitos de higiene diferentes, está gerando insatisfação na clientela branca do estabelecimento. “O problema é que eles não ligam para a limpeza e alguns quartos ficam até fedendo”, exagera uma doméstica, ao visitar uma amiga no local.

De acordo com uma enfermeira que atua no HR, as causas mais comuns das internações dos nativos são problemas respiratórios. Internado na unidade para cuidar de um dedo fraturado, Cláudio Nambiquara, que vem da aldeia que leva seu sobrenome, próxima da cidade de Comodoro (MT), tem uma explicação para o fenômeno: “Vivemos no cerrado e acabamos respirando a fumaça das queimadas feitas por fazendeiros brancos”. Já Jonado Sabanê, da aldeia Sabanê, também do Mato Grosso, tem outro argumento para justificar as doenças: “Nosso povo toma banho a qualquer hora, inclusive de madrugada. Neste tempo frio, muitos acabam pegando pneumonia”.

Uma agente da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), que presta assistência médica às aldeias, e que preferiu não se identificar, acha que seria melhor um hospital exclusivo para os nativos. O problema é que mal há recursos para manter o próprio Regional, que dirá para construir uma unidade exclusiva.

Apesar dos transtornos que provoca a convivência forçada entre os “civilizados” e os “selvagens”, o HR não tem como negar atendimento aos moradores das aldeias. Além do mais, segundo um profissional do hospital vilhenense, o valor pago pelo atendimento aos indios é três vezes maior do que o gasto com pacientes urbanos.