Relatório do ministro Alexandre de Moraes traz detalhes da participação do acusado
 
O FOLHA DO SUL ON LINE acaba de confirmar que um morador de Ji-Paraná é o primeiro rondoniense condenado por participação nos atos de vandalismo registrados em Brasília no dia 08 de janeiro, quando prédios dos Três Poderes foram atacados, o que resultou na prisão de centenas de pessoas.
 
Incluindo o jiparanaense, julgado ontem junto com outros 14 denunciados, o Supremo Tribunal Federal (STF) já condenou 101 vândalos, impondo a eles penas que variam de 14 a 17 anos de cadeia. Alguns dos acusados, como uma moradora da cidade de Cacoal, optaram por fazer acordo e se livrar do processo.
 
O relatório feito pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (LEIA ABAIXO), para embasar a Ação Penal, detalha a participação violenta do rondoniense de 30 anos nos distúrbios, e revela que ele foi identificado pela coleta de material genético nos escombros do Palácio do Planalto. Além disso, ele teria confessado que quebrou uma das janelas de vidro do Congresso Nacional.
 
“Em seu interrogatório policial (eDoc. 81), o réu informou que veio para Brasília em uma caravana juntamente com seu pai e sua mãe de ônibus, tendo chegado em 7/1/2023, que o ônibus foi fretado e que não pagou passagem, que viajou por 2 dias e 2 noites, que seu intuito era manifestar contra o resultado das eleições, pois não acreditava que os votos foram computados para quem votou. Acreditava que o Exército fosse “tomar conta”. Que foi para a Esplanada por volta das 14h, que viu vidros quebrados do Congresso e que quebrou mais 2, que na dispersão foi atingido por 3 disparos de balas de borracha, na coxa, no braço e na cabeça, onde levou pontos. Que após os vidros terem sido quebrados, subiu o barranco, no meio-fio, e ficou observando as viaturas, vendo que uma delas estava “embicada” no espelho d’água. Após cerca de 5 min percebeu que uma delas estava pegando fogo e foi para perto dela com um pedaço de ferro, que se aproximou da viatura e os manifestantes disseram para se afastar que iria explodir, que depois disso os manifestantes lhe chamaram de “petista” e foi hostilizado”, diz um trecho do relatório.
 
Um militar do DF que atuou para conter os vândalos, disse no STF que foi ferido por outros manifestantes se utilizando de balaclava, tanto que foi levado ao hospital para tratar desses ferimentos. “Afirmou que presenciou os vidros do Congresso Nacional quebrados pelos manifestantes e duas viaturas incendiadas da Polícia Legislativa, tendo visto o AP 1089 / DF 32 réu próximo da viatura da Polícia Legislativa que pegou fogo. A testemunha, inclusive, apresentou um vídeo em que o réu estaria com uma balaclava e camiseta preta como informado por ele em seu depoimento”, prossegue o relato do ministro.
 
O julgamento iniciado no dia 24 e concluído ontem ainda não determinou a fixação definitiva da pena a ser cumprida pelo acusado e os outros réus julgados na mesma sessão, mas o placar desfavorável a ele aponta para uma condenação de 17 anos, já que os votos contrários ao relator divergem apenas quando à dosimetria.
 
CLIQUE AQUI e leia na íntegra o relatório apresentado por Alexandre de Moraes envolvendo o rondoniense, inclusive ilustrado por imagens feitas no dia dos ataques.