Carta à população

 

Eu, Maury Zangalli Junior, venho por meio desta informar e esclarecer algumas noticias divulgadas na imprensa escrita e falada desta cidade.

Sou médico anestesiologista, formado na Universidade Federal do Paraná, com  residência médica em anestesiologia no Hospital Universitário Evangélico de Curitiba. São 9 anos de estudos para ser médico anestesiologista, ou seja o médico habilitado a fazer a anestesia. Esta especialização, que aos leigos parece uma função simples, exige preparo e dedicação e e não é recomendável que seja praticada por profissional de outras áreas, ainda que seja especialista.   

Venho esclarecer que os médicos anestesiologistas não assinaram o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC ) proposto pela Prefeitura e o Ministério Público, em decisão conjunta com esses órgãos, pois nós, profissionais, entendemos que deveriam ocorrer algumas alterações em determinadas cláusulas específicas para especialidade. Muitas vezes apenas um anestesiologista está na cidade, e cabe a este profissional dar suporte aos três hospitais locais. Assim, seria humanamente impossível atender à proposta do MP, para que ficássemos de plantão apenas no Hospital Regional.

O quadro de anestesiologistas não suporta a escala proposta pelo TAC de 24/72 horas, pois faltam profissionais dessa especialidade no Brasil inteiro. Perdemos alguns outros colegas anestesiologistas pela diferença salarial paga em municípios vizinhos e pelas condições de trabalho que tanto nos preocupam. A pior coisa para um profissional é trabalhar sem as condições mínimas para exercer a função de forma segura e ética. Existe uma resolução do Conselho Federal de Medicina que dispõe sobre a prática do ato anestésico (RESOLUÇÃO CFM N° 1.802/2006 ). Tal normativa fala, entre outras coisas, sobre a anestesia ser feita por especialistas, sobre equipamentos básicos para anestesia, medicações básicas para anestesia ( muitas dessas premissas básicas faltam no Hospital Regional de Vilhena, aumentando certos riscos para os pacientes).

Um dos artigos dessa resolução fala que “´para a prática da anestesia, deve o médico anestesiologista avaliar previamente as condições de segurança do ambiente, somente praticando o ato anestésico quando asseguradas as condições mínimas para a sua realização”.  E essas condições de segurança estão faltando na unidade pública de saúde vilhenense, sendo responsável pela vida do paciente o médico anestesiologista que aceitar fazer a anestesia sem essas condições.

Por esses problemas, venho a público comunicar que pedi demissão do cargo de médico anestesiologista do Hospital Regional de Vilhena, e estou disposto a voltar quando nos derem as condições de trabalho que necessitamos para atuar com segurança e ética, e quando equipararem o nosso salário com o salário dos médicos da UTI cujo valor do plantão é o dobro do que é reservado a todas s outras especialidades. Nós, anestesistas, trabalhamos atendendo a Obstetrícia, Cirurgia Geral , Ortopedia, Urologia, Neurocirurgia e todas as demais especialidades cirúrgicas, e sempre atendemos da melhor forma possível. Quem foi anestesiado por mim no Hospital Regional sabe a forma ética e humana com que trabalho.

 

 

Dr. Maury Zangalli Junior

Médico Anestesiologista

CRM – RO 2508