A candidatura do médico Paulo Sérgio Marquezini (DEM) para deputado estadual este ano foi tudo, menos inexpressiva. Apesar de sempre ter tido seu nome citado no meio político como eventual candidato – mais no passado que atualmente, a estreia do polêmico “Sérjão” chamou a atenção. Seu projeto mobilizou a família, o meio produtivo rural de maior projeção; e uma ala dos pioneiros dos anos 70, representada por ele próprio e pelos gurus Dari de Oliveira e Ângelo Angelin. O primeiro, presidente do diretório municipal do Democratas, antecipava que “de mil e quinhentos votos para cima já escapamos do fiasco, que tenho certeza que não acontecerá", profetizava dias antes da eleição. Pois bem, faltou um punhado para alcançar o patamar, mas não há nada que indique vexame.
Em conversa com a reportagem do FOLHA DO SUL ON LINE antes da eleição, que deu origem a matéria veiculada na versão impressa do dia 04, Dari prestigiou Marquezini, que desde o ingresso na legenda após anos de militância do PMDB era um “nome forte para campanha”. Em sua análise, a candidatura lançada em cima da hora, na véspera da eleição, atrapalhou. “Se tivéssemos projetado esta situação mais cedo, poderíamos ter iniciado antes”, analisa. O candidato conseguia captar atenção por onde passava em razão de seus quase quarenta anos de exercício profissional em Vilhena, período em que acredita ter realizado trinta mil cirurgias, além de ter ficado frente à frente com “seguramente 70 mil pessoas nestas décadas”.
De temperamento forte, Marquezini, entretanto é citado com respeito e agradecimento sempre que é reconhecido. E isso não acontece poucas vezes por todo o Cone Sul. Na campanha, ao longo de uma tarde escaldante de sexta-feira em Chupinguaia, o site acompanhou a jornada do candidato. Ele conversou em duas horas com cerca de cinquenta pessoas em várias residências e comércios da cidade, encontrando umas quinze que haviam sido operadas por ele, algumas mais de uma vez – sendo a recordista somando quatro cirurgias. Um dos casos curiosos foi lembrado por uma jovem, nascida pelas suas mãos e sendo responsável pelo parto de seu filho. Na medida do possível, ele chegava a recordar o caso. Não foi testemunhada nenhuma reclamação.
Esta aceitação popular aumentou o otimismo, e levou o presidente estadual do partido, José Bianco, a participar de carreata em Vilhena na véspera da eleição, evento que movimentou o centro da cidade com dezenas de participantes. Naquela ocasião, Dari e Bianco definiram que, em caso de vitória de Expedito, o DEM vai negociar no sentido de conquistar duas posições de destaque em eventual governo do tucano, “uma na área social e outra do setor produtivo”, revelou. O nome escolhido para a primeira é justamente o de Marquezini, que será indicado para o setor de Saúde.
À reportagem do FOLHA DO SUL ON LINE, em conversa na semana passada, Marquezini não estava satisfeito com o resultado, é óbvio. Mesmo assim, ele agradeceu de forma incisiva todo o apoio que recebeu. “Não foram votos comprados, não me pediram um tostão ou um litro de gasolina sequer para adesivar carros e participar de nossa campanha. A maioria dos que foram colaboradores o fizeram de forma voluntária, o que destaca a confiança que depositaram em mim. Agradeço a todos, e não quero falar nada ainda sobre o futuro. Gostei de participar, fiquei satisfeito em poder rever muitas pessoas que pude ajudar no passado, e feliz por minha família, desde as crianças, aderiram a campanha”, avalia.
O DEM vilhenense está ainda em silêncio com relação a anunciada indicação dele para eventual governo de Expedito Junior.