Exames no material coletado devem apontar a causa da hemorragia pulmonar
No final da manhã desta sexta-feira, 15, médicos do Hospital Regional de Vilhena, entre eles o plantonista da Unidade de Terapia Intensiva (UTI), André Oliveira de Carvalho, concederam, no auditório do próprio HRV, uma entrevista coletiva sobre o caso Rafael Bristotti.
O jovem de apenas 18 anos faleceu no dia 13 deste mês na UTI do hospital, após um quadro de insuficiência respiratória que evoluiu para falência múltipla dos órgãos. A família acusa a direção do hospital de negligência. Relembre aqui.
Oliveira de Carvalho disse que na primeira vez que o Rafael procurou o hospital, ele chegou com febre e reclamando de dores no corpo e dor de cabeça. “Foi feita medicação para baixar a temperatura e pedidos exames para identificar as causas da febre”, disse o médico e prosseguiu: “O protocolo do Ministério da Saúde recomenda fazer as medicações sintomáticas, no caso, para baixar a febre, dor no corpo; e isso foi seguido à risca”.
No dia 10, com um quadro de tosse forte, Rafael voltou ao Hospital Regional, onde teria dito ao médico que o atendeu que a crise de tosse aconteceu após ele ter “fumado” narguile. Para Oliveira de Carvalho, o uso desta substância pode ter comprometido a questão respiratória do jovem. Após este episódio, Rafael permaneceu sob observação.
No dia 11, o quadro respiratório do paciente se agravou e ele foi transferido para a UTI, onde chegou com hemorragia pulmonar. “O pulmão dele sangrava bastante; ele foi entubado e passou a respirar com a ajuda de aparelhos; dentre as causas desse sangramento do pulmão, pode ter sido infecção por bactéria, por fungos, vírus, ou pode ser provocada pela intoxicação do produto (narguile) ou por outra doença, como vasculite ou leptospirose”, pontuou.
O médico plantonista disse que, pela gravidade do caso, foram usados remédios tanto para tratar a H1N1 quanto pneumonia por bactérias e fungos, além de leptospirose. “Fizemos tudo que podia ser feito, o que tivesse de infecção no pulmão dele estávamos tentando tratar”, assegurou Oliveira de Carvalho e continuou: “Infelizmente, ele não respondeu ao tratamento, seu quadro evoluiu com falência múltipla de órgãos, o coração foi batendo devagarzinho, precisou de drogas para mantê-lo funcionando, e os rins pararam. A gente não conseguia fazer ele respirar; por causa do pulmão muito cheio de sangue não conseguia fazer a troca gasosa”, lamentou.
Sobre a queda na Usina de Oxigênio do Hospital Regional, o que poderia ter agravado o quadro de saúde de Rafael, Oliveira de Carvalho confirmou que houve mesmo o problema, mas explicou que isso não significa que os pacientes sejam privados do fornecimento do gás. “Neste período houve realmente uma queda na Usina de Oxigênio; ela tem um alarme que emite um alerta quando há uma diminuição na pressão desse ar. Quando começa a falhar, eles ligam uma válvula, e liberam as bombas de emergências que mantém o fluxo nas redes. Os pacientes não ficam sem receber o oxigênio”, garantiu.
Oliveira de Carvalho explicou ainda que além dos “torpedos” auxiliares, há na UTI recipientes menores de oxigênios para uso em caso de emergência.
Os médicos não souberam precisar o que causou a hemorragia pulmonar que levou à morte do jovem. Por isso, foi coletado material e enviado para exames de H1N1 e leptospirose. Não há uma previsão para a chegada do resultado. “Fala-se em 15 dias, mas temos casos com mais de 30 dias e os resultados ainda não chegaram”. Os materiais de pacientes com suspeitas de H1n1 são analisados São Paulo.
Sobre o H1N1, Oliveira de Carvalho disse que o vírus é rápido. “Começa com um quadro gripal, febre, nariz escorrendo, tosse seca, e evoluiu para falta de ar, em questão de dias, horas, a falta de ar está presente. Tivemos diversos casos suspeitos, aqui no hospital, a maioria reagiu à medicação e recebeu alta; em outros casos com óbito a investigação está aguardando a sorologia para saber se é ou não a H1N1.”