A passagem praticamente em branco da morte do ex-governador Jerônimo Garcia em Vilhena não deixa de provocar estranheza. Isto porque a história política do município se confunde em determinados pontos com a trajetória do “Homem da Bengala”, assim como a biografia de vilhenenses. Caso, por exemplo, dos advogados Carlos Eduardo Pietrobon (NA FOTO) e Cícero Dantas.
A reportagem da FOLHA DO SUL ON LINE confirmou que ambos exerceram cargo no primeiro escalão do governador pioneiro. Há outros, mas nenhum deles se manifestou sobre o falecimento e o ocaso de Jerônimo, que morreu quase anônimo para o Estado que governou.
Segundo o ex-prefeito Heitor Tinti Batista, um dos mais antigos filiados do PMDB em Rondônia, a relação de “Bengala” com a política vilhenense foi estreita. A história registra que o pioneiro Sabino Bezerra de Queiroz, vanguardista da oposição ao governo militar nos anos 1970, representava o MDB no Sul de Rondônia. Ele tinha Jerônimo como referência do partido e da política nacional, agregando seguidores.
A influência de Santana na região e vice versa fez com que vilhenenses de destaque emplacassem cargos importantes no primeiro governo eleito no Estado. Recebendo a faixa simbólica das mãos de Ângelo Angelin, vilhenense que administrou Rondônia na transição entre os governos civil e militar, Bengala convocou pelo menos quatro pessoas conhecidas da cidade para o primeiro escalão. Cícero Dantas foi secretário de Justiça;Pedro Cartaxo comandou a Administração; e Pietrobon nomeado assessor de primeira linha no staff de Santana.
Apesar de não ter participado do governo por estar em outra configuração no partido, de maneira indireta Heitor Batista também acabou ligado àquele momento histórico: sua esposa, Lourdes Tinti Batista foi representante da SEDUC no Cone Sul. O site também apurou que outros personagens famosos em Vilhena, caso da ex-vereadora Doralice Mendes da Rocha e o empresário Heládio Senn, pioneiro conhecido como “Nego Zen”, foram amigos próximos de Jerônimo.
O FOLHA DO SUL ON LINE prossegue em busca de depoimentos de vilhenenses que tenham participado daquele momento político para resgatar a relação entre o primeiro governador civil de Rondônia e a principal cidade sulista do Estado.