Desde que chegaram ao Brasil, os médicos estrangeiros, sobretudo os cubanos, têm enfrentado todo tipo de reação. Os profissionais nascidos e formados em Cuba, ilha comunista do Caribe, são acusados, nas redes sociais e em parte da imprensa, de trabalharem como escravos, de terem má formação acadêmica e de falarem uma língua desconhecida.
Os médicos estrangeiros são frutos de uma política do governo federal. O Programa Mais Médicos, que é uma tentativa de levar profissionais de Saúde aos recônditos do país, é também uma principal vitrine eleitoral da gestão da presidente Dilma Rousseff (PT).
Os municípios pequenos interior do Cone Sul, como Corumbiara e Cerejeiras, foram contemplados com médicos cubanos enviados pelo governo federal. Embora Vilhena também tenha sido contemplada com um profissional da ilha caribenha, é nos municípios menores da região sul rondoniense que os profissionais têm feito mais diferença e, por isso, obtido mais aceitação popular.
O idoso Manuel Pereira dos Santos, de 101 anos, o homem mais velho de Corumbiara, é um dos que recebem visitas periódicas do médico cubano Roberto Paredez (na foto, atuando uma casa de família), que foi direcionado para o município em dezembro de 2013 para trabalhar por três anos. O ancião diz que se dá bem com o profissional e o não vê o idioma do profissional como uma barreira. “Eu já conhecia um médico peruano que morava aqui. Esse cubano é mais fácil de entender que o outro que conheci”, diz Manuel, um homem simples que frequentou a escola só por dois dias, numa entrevista no final de janeiro deste ano, quando a reportagem do FOLHA DO SUL ON LINE esteve no município.
Em Cerejeiras, um técnico em eletrônica, que tem 52 anos e só cursou até a 3º série do ensino fundamental, também dá sua opinião sobre os médicos cubanos virem para a região. “Acho ótimo. Foi muito bom isso que o governo fez”, diz. O município cerejeirense foi contemplado com uma profissional, a médica Cândida Dolores Rodriguez.
Sobre a barreira de comunicação com os médicos de Cuba, o morador cerejeirense afirma que conversar com profissionais estrangeiros não é nenhuma novidade para ele. “Eu já me tratava com médico cubano na Bolívia. Já fiz uma cirurgia com uma cubana num hospital boliviano. Estou acostumado com eles”, diz.