A idéia do prefeito Zé Rover (PP) de instalar nas proximidades dos antigos motores da Ceron o presídio a ser construído pelo Governo do Estado, começa a enfrentar resistência. Moradores de bairros que ficam nas imediações de onde deverá ser erguido o complexo prisional já estão organizando um abaixo assinado e os mais exaltados já falam num protesto em frente à Câmara de Vereadores, onde será votada a cessão do imóvel.

Um profissional liberal que tem casa no Jardim Universitário e que não quis ter seu nome revelado, procurou o FOLHA DO SUL ON LINE e foi taxativo: “É uma idéia de ‘jerico’, pois ali existem clubes de lazer e vários empreendimentos residenciais”, disse, já prevendo uma violenta desvalorização dos imóveis, caso seja concretizada a sugestão de Rover.

Desde que foi anunciada a implantação, em Vilhena, do complexo penitenciário cuja construção vai custar R$ 13 milhões aos cofres do Estado, as lideranças políticas não se entendem sobre o local do empreendimento. Por duas vezes a Prefeitura cedeu terrenos, que acabaram sendo devolvidos em virtude de problemas logísticos ou de documentação.

A proposta apresentada pelo deputado Luizinho Gobel (PV), que tenta levar o “cadeião” para uma área desabitada na divisa entre Rondônia e Mato Grosso, tem encontrado mais receptividade, tanto dos moradores vizinhos ao local sugerido por Rover, quanto entre pessoas de bairros afastados.

Um outro morador, que também discorda do prefeito, lembrando que o local indicado por ele abriga emissora de rádio, clubes de serviço e sedes campestres de entidades, enviou uma reportagem publicada no G1, portal de notícias da Rede Globo, para reforçar sua argumentação. Leia baixo a íntegra da matéria, relacionando a presença de presídio ao aumento da criminalidade em cidades do interior paulista:

 

 

Criminalidade sobe em cidades com concentração de presídios em SP

Roubos e furtos aumentaram 84,7% em região chamada de 'Texas paulista'.
Segundo associação de municípios, setor de saúde também é afetado.

 

A construção de presídios acabou com a vida pacata e transformou cidades do Oeste do estado no "Texas paulista", apelido dado pelos próprios detentos por causa da distância da capital e do rígido sistema carcerário. Na última década, dez municípios que formam um corredor de penitenciárias na região viram o número de roubos e furtos aumentar, em média, 84,7%.

Na última década, em todo o Estado, o crescimento nas mesmas modalidades criminosas foi sete vezes menor, de 12,1%. Entre as dez cidades com presídios usadas como referência, nove estão na Alta Paulista (apenas Martinópolis pertence à Alta Sorocabana). Com o declínio da agricultura, base da economia e fonte de empregos, os municípios passaram a receber penitenciárias, a partir da segunda metade dos anos 1990. Líderes regionais foram seduzidos pela possibilidade de conseguir trabalho para os habitantes e dar estímulo ao comércio. De quebra, ganhariam também com o aumento na arrecadação de impostos. Junto, porém, surgiram outros problemas além da insegurança.

Presidente da Associação dos Municípios da Nova Alta Paulista (AMNAP), entidade que reúne 31 cidades da região, o prefeito de Osvaldo Cruz (558 km da capital), Valter Luiz Martins, diz que o setor de saúde é mais afetado do que a própria segurança porque os recursos destinados aos moradores são divididos com a população carcerária, que tem prioridade no atendimento.

Martins reconhece que houve um aumento na criminalidade, mas não relaciona o problema diretamente com a construção dos presídios. Ele diz, porém, que é necessário rever a postura adotada no passado, de aceitação das penitenciárias. "Se foi um erro ou um acerto, agora é o momento para refletir", afirma. Ele também lamenta o efetivo policial insuficiente e diz que se reuniu recentemente com integrantes da Secretaria de Segurança Pública para discutir o assunto. Parte dos policiais é obrigada constantemente a acompanhar o deslocamento dos detentos, o que desfalca o policiamento.