Documentos obtidos pela FOLHA revelam que, entre o primeiro e o terceiro trimestre do ano passado, aumentaram as mortes entre os pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Regional de Vilhena (HR).

Nos relatórios produzidos para as audiências públicas trimestrais obrigatórias, demonstra-se que o índice de mortalidade saltou de 14% para mais de 30%.

Entre janeiro e março, dos 54 internos, apenas 11 vieram a óbito. Entre julho e setembro, de 96 pacientes atendidos, 33 faleceram.

O aumento deve-se a vários fatores, segundo especialistas em terapia intensiva.

Um dos mais freqüentes é a gravidade dos ferimentos em politraumatizados por conta de acidentes de trânsito ou episódios de violência, como brigas domésticas e tumultos em praça pública, quase sempre envolvendo abuso de álcool e drogas.

Outro fator é a debilidade do estado físico de pacientes idosos, portadores de várias patologias. “Um paciente de mais de 70 anos, cardíaco, portador de diabetes, que dá entrada no pronto-socorro com quadro de hipertensão aguda, e que evolua rapidamente para uma embolia, corre sérios riscos de vida”.

Por enquanto, está afastada a hipótese de aumento na contaminação hospitalar por bactérias superresistentes, como aconteceu recentemente na UTI Neonatal do Hospital Santa Lúcia, em Brasília (DF), quando nove bebês morreram em uma semana.

A prefeitura enfrentou grandes dificuldades no ano passado para manter a UTI funcionando, por conta do bloqueio de repasses devidos pelo governo do Estado. O prefeito Zé Rover (PP) chegou até a aventar a possibilidade de reduzir paulatinamente o atendimento por conta dos atrasos, que chegaram a R$ 1,2 milhão em 20 de dezembro.

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