Poema foi postado na rede social por irmão de Nelinho
 
Foi num fim de tarde chuvosa do dia 16 de dezembro de 1995, em Corumbiara, que um pistoleiro entrou pelos fundos da casa do então vereador Manoel Ribeiro, o Nelinho (PT), e o ficou esperando, com uma escopeta na mão.
 
O parlamentar seria padrinho de casamento e estava se preparando para o festejo. Na boca da noite, o vereador chegou em casa. O pistoleiro então disparou cinco tiros em Nelinho, que morreu logo em seguida, no colo da esposa, que estava grávida – ainda sem saber que gerava uma criança no ventre.
 
Aqueles tiros ecoaram no Brasil inteiro. A imprensa mundial veio a Corumbiara, o PT na época auxiliou com advogados na investigação, a Justiça fez a sua parte.
 
Desde então, quase um quarto de século depois daqueles tiros, o município de Corumbiara convive com o mistério, a sensação de injustiça e a falta do vereador que estava fazendo história.
 
Ninguém tem os detalhes completos sobre as motivações do crime, mas há um entendimento geral de que o caso teria sido motivado por um “consórcio” de gente poderosa interessada na morte do jovem vereador, na época com 30 anos e com altíssimo poder de voz. Os motivos seriam, portanto, por casos de corrupção no município e os interesses fundiários em Corumbiara, já que Nelinho, um homem de extrema coragem, era apoiador do então nascente MST (Movimento dos Sem-Terra).
 
Neste 16 de dezembro de 2019, exatos 24 anos após a morte do vereador, um morador do Verde Seringal, um assentamento de pequenos situantes beneficiados pelas reformas agrárias e um foco do petismo no município, escreveu um poema ao vereador morto em 1995. A poesia foi publicada pelo irmão do vereador, o ex-vice-prefeito e ex-vereador de Corumbiara, João Ribeiro, o Joãozinho (PT).
 
Segue a poesia abaixo.
 
UMA FONTE DE VIDA

"Uma fonte de vida nasceu
Depois que a outra acabou,
Alguém diz que nem se conhece
Porque não falar.

Quem vive só de explorar
Já se fica com medo,
O povo conhece e não guarda segredo
Um projeto de vida pra se libertar.

Vereador Nelinho
Os poderosos te odeia
Mas os pobres te ama,
Você é a raiz de um novo drama
De uma nova manhã
Que será bem melhor.

Vereador Nelinho
Os poderosos te odeia
Mas os pobres te ama,
Você é a raiz de um novo drama
De uma nova manhã
Que será bem melhor

Uma fonte de vida nasceu
Depois que a outra acabou..."

(Autor: Tonico do Verde Seringal)