“Sou professor efetivo, doutor, e o meu salário não chega a sequer um terço do mínimo apontado pelo senhor”
Candidato a governador de Rondônia pela Rede, no ano passado, o professor universitário Vinícius Miguel usou o Facebook para rebater uma declaração do ministro da Educação, Abraham Weintraub, que classificou como “zebra mais gorda” os salários de alguns educadores do ensino superior, que estaria, recebendo de R$ 15 a R$ 20 mil por 8 horas de aulas na semana . Entenda aqui.
Ao contestar o titular do Ministério da Educação, o professor da Unir publicou o próprio contracheque na rede social, acompanhado de uma dura resposta a Weintraub. Confira abaixo, na íntegra:
Caro Sr. Ministro Abraham Weintraub,
Permita-me dizer que o senhor não encontrará “zebras gordas” nos contracheques de professores universitários no Brasil.
Eu sou professor efetivo, doutor, e o meu salário não chega a sequer um terço do mínimo apontado pelo senhor.
Digo isso mostrando fatos, como, por exemplo, ao expor os meus rendimentos no Facebook – um documento particular aberto à população a fim de que possamos fechar de vez esse safári fantasioso (e mentiroso) proposto pelo senhor.
Agora, caso vossa excelência queira, de fato, insistir na metáfora usando a fauna como mote, a minha sugestão é a seguinte: faça um cotejamento minucioso e de ordem científica, se possível, claro, apontando aos cidadãos a quantidade de “leões minguados, esqueléticos, magricelas e anoréxicos” a povoar a estreitíssima conta bancária de um docente.
Nesse zoológico que habita o serviço público, em seu linguajar, temos, sim, elefantes brancos e hipopótamos exóticos. Mas não são os professores.
Vamos debater no plano da realidade, Ministro, e com responsabilidade.
Essas declarações descompromissadas com a realidade só servem para atiçar a sanha de quem vê o educador como inimigo: talvez vossa excelência deva começar a garimpar os defeitos estruturais nas instituições federais e agir de maneira alinhada às definições de ofício próprias de um Ministro de Estado.
#ZebraGorda
Autor:
Da redação
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 27 de Setembro de 2019, às 11:11