Em um desabafo emocionado, feito ontem no Facebook, a empresária do segmento de segurança do trabalho, Monique Sousa, relembrou a morte do filho, um menino de 2 anos e 8 meses, que aconteceu no mês passado.
Conforme noticiou o FOLHA DO SUL ON LINE na ocasião, o pequeno Augusto Oliveira de Souza recebeu o primeiro atendimento médico em Cerejeiras, antes de passar por Vilhena e ser encaminhado para Ji-Paraná, onde foi a óbito (LEMBRE AQUI).
Em sua postagem na rede social, Monique levanta uma série de dúvidas que cercam a morte prematura do filho (LEIA ABAIXO, na íntegra).
“40 horas e 50 minutos.
Esse foi o tempo entre a avaliação médica registrada às 19h33 do dia 11/07 e o falecimento do meu filho, Augusto, às 12h23 do dia 13/07.
Menos de dois dias.
No primeiro atendimento, Augusto recebeu diagnóstico de amigdalite. Eu ainda ouvi que o pulmão dele estava “ótimo”. Poucas horas depois, ele retornou em estado gravíssimo, com pneumonia lobar, comprometimento respiratório e uma evolução que terminou com a morte do meu filho.
Desde então, existe uma pergunta que não sai da minha cabeça: o que aconteceu nessas 40 horas e 50 minutos?
A avaliação inicial foi suficiente?
Os sinais apresentados por ele foram corretamente interpretados?
Havia indicação de exames ou observação?
O protocolo adequado foi seguido?
Houve atraso no diagnóstico?
Foram perdidas horas importantes em que Augusto poderia ter recebido outro tipo de tratamento?
Eu não quero conclusões baseadas na minha dor. Eu quero documentos, perícia e investigação.
Sou técnica em Segurança do Trabalho e aprendi algo durante toda a minha vida profissional: quando acontece um evento grave, principalmente quando existe uma morte, nós investigamos.
Não para apontar previamente um culpado.
Investigamos para descobrir o que aconteceu, onde houve falha, quais procedimentos foram cumpridos e o que precisa mudar para que aquilo não aconteça novamente.
Na saúde não deveria ser diferente.
Não podemos falar apenas sobre estrutura hospitalar. Precisamos falar também sobre qualificação profissional, experiência, protocolos, tomada de decisão e preparo de quem está à frente de uma urgência ou emergência.
Quando uma mãe entrega seu filho aos cuidados de um profissional de saúde, ela confia que os sinais serão reconhecidos e que aquela criança receberá tudo aquilo que precisa naquele momento.
Eu confiei.
Hoje, nada poderá devolver o Augusto aos meus braços. Eu aceito a realidade mais dolorosa da minha vida: meu filho morreu. O que eu não aceito é que as perguntas sejam enterradas junto com ele. Se tudo foi realizado corretamente, uma investigação séria poderá demonstrar isso.
Mas, se houve falha, negligência, imperícia, quebra de protocolo ou perda de uma oportunidade de tratamento, isso também precisa ser reconhecido.
Porque talvez eu não consiga mais salvar o meu filho.
Mas descobrir a verdade sobre o que aconteceu com Augusto pode ajudar a salvar o filho de alguém.
JUSTIÇA PELO AUGUSTO. ”