*Dimas Ferreira
 
O ex-prefeito Melki Donadon tem, na política de Vilhena, a mesma simbologia de um leão desdentado nas savanas africanas: ele não precisa das presas mortais; basta o rugido para provocar histeria e debandada.
 
Donadon, como Raimundo e todo mundo sabe, está legalmente impedido de disputar eleições, e é dado como “morto” por alguns adversários, que apontam como prova da suposta decadência política o desempenho vexatório dele, concorrendo a deputado federal no ano passado.
 
Só esquecem de um detalhe: o cacique disputou aquela eleição sob bombardeio judicial, com o registro indeferido e sem um vintém pra gastar na campanha. Obviamente, se estivesse limpo e com bala na agulha (ou seja, grana na algibeira) a conversa teria sido outra.
 
Independente da simpatia ou antipatia (e ele atrai ambas na mesma medida) por Melki, o fato é que a eleição municipal de Vilhena passa, necessariamente, por ele. Difícil imaginar que, controlando o latifúndio eleitoral que as urnas tradicionalmente lhe dão, ele fique fora da próxima disputa, ainda que sua participação seja terceirizando outro nome, provavelmente da família.
 
Atualmente às voltas com sua granja de galinhas poedeiras, disputando o agora aquecido mercado de ovos com o prefeito Eduardo Japonês, que há anos atua no segmento, Melki faz mistério até para os amigos mais chegados sobre seus planos para 2020.
 
A esposa, Rosani, Plano A da família, hoje está apta para a disputa, mas já surgem rumores de que, até a hora de se inscrever para a batalha, a justiça já terá enlameado a ficha dela com pelo menos uma condenação que a impeça de concorrer novamente.
 
O nome Donadon, a despeito das muitas encrencas judiciais, ainda é uma espécie de “grife” na política do Cone Sul. Bem verdade que as últimas campanhas mostram que o prestígio não é o mesmo de antes, justamente por causa dos rolos e condenações de alguns dos membros da dinastia.
 
Mas, que ninguém se engane: no mano-a-mano ou com a tão sonhada terceira via, articulada pelos órfãos de Melki e pelos descontentes com Japonês, o ex-prefeito ainda tem força suficiente para dar sufoco em adversários.
 
Considerá-lo “um cadáver político”, como alguns mais afoitos andam fazendo, pode se revelar um erro fatal. Isso sem contar que a tal terceira via sempre foi uma estratégia “fiasquenta” na maior cidade do Cone Sul. Relembremos: teve Gentil Dalla Vechia em 1992, Reditário Cassol em 1996 e Luizinho Goebel em 2012. Deu até vergonha...
 
 
*Dimas Fereira é editor do FOLHA DO SUL ON LINE