*Dimas Ferreira
 
Esta não é a primeira, e certamente não será a última greve de servidores municipais em Vilhena. O movimento, deflagrado na semana passada, acua o prefeito Eduardo Japonês (PV), que em entrevista a este site disse que não há como atender a principal reinvindicação da categoria (lembre aqui).
 
Greve, como se sabe, é um movimento extremo, adotado apenas quando as negociações fracassam. Traz incômodos, mas é legítimo e legal, desde que atendidos alguns requisitos.
 
Ainda não há pesquisas mostrando se a paralisação tem apoio ou rejeição da sociedade. Aqui e acolá, se vê manifestações de solidariedade aos grevistas; mas também se observa críticas à precarização do atendimento nos serviços públicos, provocada pelo movimento.
 
No meio das manifestações legítimas, há militantes tentando transformar os atos em favor dos servidores em pauta política e eleitoral. O que também não é novidade, embora se trate de uma picaretagem que pode trazer resultados opostos aos pretendidos pelos que adotam esta tática.
 
Mas, independente da desvirtuação da greve, uma coisa é certa: ela corrói o prestígio do prefeito, principalmente pela criatividade de algumas figuras. A imagem do enfermeiro Caio Mendes, dentro de um caixão, usado para simbolizar a “morte política” de Japonês, pode até não matá-lo, mas lhe causa fraturas e lesões graves na honra.
 
Quem, nesta altura dos acontecimentos, ainda conserva algum juízo e bom senso, torce para que o problema se resolva com diplomacia e equilíbrio. É gente que não quer ver o servidor prejudicado e nem o município paralisado. Um oásis de discernimento entre a histeria de alguns grevistas e a cegueira dos puxa-sacos do prefeito.
 
Apesar da complexidade do tema, ele se resume a uma questão aparentemente simples e que, por ser exata, deveria levar a uma solução rápida e sem traumas: números!
 
Os grevistas garantem que há recursos nos cofres municipais para atender a demanda apresentada por eles, que apontam uma situação que parece mesmo incoerente: comissionados recebendo salários vultosos, enquanto concursados lutam para manter o pouco que ganham.
 
O prefeito, por sua vez, fala de cifras exatamente opostas: alega que, se hoje o orçamento do município já apresenta um rombo milionário, aumentar salários em época de crise levaria à explosão do déficit, trazendo conseqüências dolorosas não apenas para o próprio funcionalismo, mas para toda a sociedade.
 
Assim, o impasse ficaria resolvido quando os dois lados apresentassem os números nos quais se baseiam. A matemática, sendo exata, não permitiria a nenhum dos lados prosseguir com suas desculpas esfarrapadas.
 
Porém, como diria o falecido ex-presidente Itamar Franco: “Os números não mentem, mas os mentirosos fabricam números”
 
Dimas Ferreira é editor do FOLHA DO SUL ON LINE