DIMAS FERREIRA*
Se a questão se resumisse a encontrar um culpado, a pergunta básica a se fazer neste momento seria: quem, afinal, é o responsável pela situação da prefeita de Vilhena, Rosani Donadon, na Justiça Eleitoral? Entenda aqui.
No rol dos suspeitos, destaque para: as pessoas que insistiram em sua candidatura, mesmo sob risco; os adversários, que não se conformaram com a derrota; o MP, que resolveu contestar na justiça a vontade popular expressa nas urnas; e este FOLHA DO SUL ON LINE, que mesmo sem qualquer interferência na esfera judicial, é esculachado num grupo de apoiadores da emedebista no WhatsApp.
Num momento de ânimos exaltados, é importante esclarecer: a prefeita tem direito a recursos no TSE (e os apresentará), para não perder o mandato. Trata-se, portanto, de uma situação delicada, cujo desfecho não será alterado pelo berreiro dos aliados e nem pela euforia dos adversários. O melhor a se fazer é aguardar. E deixar que os ritos do Tribunal sigam seu curso.
Em relação à própria Rosani, deve-se reconhecer: é uma mulher que, no exercício do cargo, tem se revelado (para dizer o mínimo), uma líder esforçada. Talhada para os cultos religiosos, continua freqüentando a igreja evangélica de sua denominação, mas não desgruda os olhos das tarefas que lhe foram confiadas. E que tarefas...
Dona-de-casa zelosa, dá conta dos seus afazeres e ainda mantém uma desumana rotina de trabalho que muitas vezes supera as 12 horas diárias. Fora as viagens cansativas, que muitos consideram, em julgamentos injustos, meros passeios.
Reconheçamos, portanto, o esforço de uma pessoa que às vezes até chora diante da dureza dos desafios, exibindo sem culpa o lado humano de quem pode até fraquejar, mas segue lutando.
Reveladas tais virtudes no campo pessoal, que ninguém coloque Rosani acima ou abaixo do que ela realmente é como política: nem a incompetente manipulada pelo marido, que os adversários alardeiam, nem a heroína invencível que os aliados propagam.
Mas, ao fim e ao cabo, o que de fato interessa a quem se desespera para manter o cargo comissionado e os que sonham em trocar o governo e assumir sua boquinha na gestão municipal é uma coisa só: Rosani fica ou sai?
Pergunte isso a quem tem interesse direto no caso e você ouvirá dezenas de teses jurídicas que sustentam o desejo da pessoa, não a realidade. Vale para ambos os lados, mas o fato é que só as cabeças dos juízes têm o veredicto. E, dessas cabeças togadas, reza a lenda infame, que as compara a bumbuns de bebês, pode sair uma coisa ou outra.
A sorte é que a resposta a este questionamento tem tudo para sair em tempo relativamente breve: sem choro nem vela, ao que tudo indica, ainda neste ano o TSE baterá o martelo. Pode, como se sabe, manter a prefeita no cargo ou mandá-la desocupar a cadeira.
E, a partir desta decisão, favorável ou contrária, segue-se o “jus sperniandi”, que não passa disso mesmo: pessoas esperneando para adiar o inevitável.
E, podem anotar aí: qualquer que seja a sentença, este site vai publicá-la, quem sabe até em primeira mão. Para a alegria de uns e choro de outros. É a vida...
*Dimas Ferreira é jornalista prático e advogado habilitado