*Dimas Ferreira
 
Felizmente, a grande maioria do eleitorado vai escolher os próximos prefeitos em municípios de Rondônia com base num critério que, se não é o mais justo e eficiente, ao menos é honesto: a impressão pessoal de cada um sobre os candidatos.
 
Uma minoria barulhenta irá às ruas, durante a campanha, para defender o que lhe convém: interesses pessoais, remuneração como “formiguinha” ou promessa de cargo na futura administração. É quase ilegal, totalmente imoral e, além de tudo, engorda!
 
Mesmo na primeira categoria de eleitor, aparentemente desinteressada em vantagens, há ressalvas há fazer nestes tempos de polarização ideológica movida a ódio. Por exemplo, nega-se o voto a candidatos de direita e de esquerda justamente por isso: serem de esquerda ou de direita.
 
Quem age assim, em geral é gente realmente bem intencionada, mas que nos últimos tempos resolveu que candidatoS que não defendam pena de morte (de direita) ou que não apóiem o aborto (esquerda) não mereceM confiança. Mesmo que jamais tenham se envolvido em escândalos e ostentem uma vida reta e digna, são descartados por posições ideológicas. Uma pena...
 
Foquemos apenas na maior cidade do Cone Sul, onde a maior probabilidade é que três grupos “se peguem” nas urnas eletrônicas: o do prefeito Eduardo Japonês (PV), o da ex-prefeita Rosani Donadon (MDB), e uma terceira via, que tende a marchar com o empresário Jaime Bagattoli (Aliança), estando ele apto ou não para a disputa.
 
São três opções que deveriam dar orgulho, afinal, todos têm contribuições dadas à vida pública local. Cada qual a seu modo, com virtudes e defeitos, todos estariam em condições de comandar a cidade que é referência em Rondônia.
 
Mas, pesquise nas redes sociais e veja o que acontece: denúncias (nem sempre confiáveis), insinuações (menos confiáveis ainda) e mentiras descaradas tentando minar a honra de cada um: quem não é incompetente, é ladrão... e se não for nenhuma das duas coisas, sem problemas: acha-se (ou inventa-se) um defeito pior.
 
Resumindo, eis a situação: Rosani não pode ser responsabilizada por crimes de outros, que ela não cometeu; Jaime não é obrigado a se derramar em sorrisos e simpatia, afinal, luta por um cargo público, não está disputando concurso de mister; e Japonês não pode ser acuado por escândalos fabricados nas redes sociais, envolvendo assessores, já que ele próprio não foi denunciado por ilegalidades.
 
Lamentavelmente, quem se atreve a entrar na política, ao menos por estas bandas, precisa estar disposto a se sujeitar a acusações sem provas e ofensas gratuitas. É por isso que está cada vez mais difícil convencer pessoas que tanto poderiam contribuir com a vida pública local a aceitarem ser xingadas gratuitamente. Quem é besta???
 
*Dimas Ferreira é editor do FOLHA DO SUL ON LINE