Uma página na internet republicou os detalhes de um crime violento, motivado por divergências políticas, registrado em 2022 no interior de Mato Grosso, em uma época em que a polarização envolvendo lulistas e bolsonaristas, que disputavam a Presidência naquele ano.


Na época, ao noticiar o caso, o FOLHA DO SUL ON LINE publicou: “Segundo a Justiça, a perícia atestou que “não há evidências que possam afirmar que, na data do delito cometido, o periciado era portador de transtorno psiquiátrico, doença mental ou perturbação da saúde mental”. A defesa dele, durante o processo, havia informado que o réu sofria de esquizofrenia e a família, anos antes, havia tentado interná-lo em clínica psiquiátrica” (CONFIRA NA ÍNTEGRA).


LEIA TEXTO ABAIXO e relembre outros detalhes do violentíssimo crime político no Estado vizinho:


Benedito Cardoso dos Santos tinha 42 anos e trabalhava em uma propriedade rural em Confresa, interior de Mato Grosso. Segundo o irmão, era um homem alegre, tranquilo e brincalhão.


Não era filiado a partido político e, apesar de apoiar Lula, a família dizia que ele não era fanático por política.


Na noite de 7 de setembro de 2022, Benedito estava na propriedade onde trabalhava quando começou uma conversa com o colega Rafael Silva de Oliveira, que apoiava Jair Bolsonaro.


O assunto era política.


De um lado, Benedito defendia Lula. Do outro, Rafael defendia Bolsonaro. A conversa foi ficando cada vez mais agressiva até se transformar em uma briga.


Segundo o depoimento prestado por Rafael à polícia, Benedito teria dado um soco nele e o ameaçado com uma faca. Rafael afirmou que conseguiu tomar a arma e, a partir daquele momento, passou a perseguir o colega, mas isso foi o que ele alegou.


O que aconteceu depois foi muito além de uma briga.


Benedito correu.


Rafael foi atrás dele e começou a golpeá-lo com uma faca, atingindo principalmente a região das costas. Benedito caiu no chão, e mesmo depois de estar caído, continuou sendo atacado.


Segundo a versão apresentada à polícia, Rafael atingiu Benedito na região do olho, pescoço e testa.


E então aconteceu uma das partes mais brutais do crime.


Rafael deixou a vítima caída e foi até um barracão. Lá, pegou um machado.


Ele voltou até Benedito e golpeou seu pescoço enquanto ele ainda estava vivo. Posteriormente, a investigação apontou que Rafael teria tentado decapitar Benedito com o machado, mas não conseguiu.


O resultado da perícia revelou uma violência ainda maior do que aquela descrita inicialmente pelo próprio acusado. O laudo apontou 70 perfurações provocadas por faca e machado.


Os ferimentos estavam espalhados por diferentes partes do corpo, incluindo cabeça, pescoço, peito, pernas e abdômen. Depois do ataque, Rafael escondeu as armas utilizadas no crime.


Em seguida, deixou a propriedade e foi caminhando até a cidade de Confresa.


Quando chegou ao município, procurou atendimento médico. Estava com ferimentos na mão e na testa e apresentou uma versão de que teria sido vítima de uma tentativa de roubo.


Mas a história não convenceu os investigadores.


A polícia encontrou a faca e o machado escondidos na propriedade, além de outros elementos que ligavam Rafael ao assassinato.


Ele acabou preso e, diante dos policiais, confessou o crime. Rafael ainda teria filmado o corpo de Benedito depois do assassinato.


A Justiça considerou a violência e as circunstâncias do crime e decretou a prisão preventiva de Rafael. O juiz responsável afirmou que a intolerância política não poderia ser admitida em uma sociedade baseada no pluralismo de ideias.


Enquanto Rafael era preso, a família de Benedito precisava lidar com a perda. Ele era o mais novo de cinco irmãos.


O irmão Paulo contou que, quando recebeu a notícia, não pensou em política. Pensou apenas em buscar o corpo do irmão, velá-lo e enterrá-lo.


O sepultamento aconteceu em Santana do Araguaia, no Pará, onde Benedito foi enterrado pela família.


Quase um ano depois, em agosto de 2023, Rafael foi levado a julgamento pelo Tribunal do Júri. Rafael foi condenado a 14 anos de prisão pelo assassinato de Benedito.


Durante o julgamento, Rafael manteve a confissão e disse que não se arrependia do crime.