“As investigações não obedecem ao calendário eleitoral”
Uma pergunta que muitos vilhenense vêm se fazendo, após a prisão de vereadores pela Polícia Federal, acusados de integrar um esquema de extorsão contra empresários do setor imobiliário para aprovar loteamentos na Câmara é: por que a ação não aconteceu antes da eleição?
O questionamento, feito inclusive na seção de comentários deste site, vem acompanhado do raciocínio de que as prisões impediriam a reeleição de alguns dos parlamentares agora indiciados e investigados. Também poderia ter reflexos na disputa majoritária, uma vez que a vereadora Marta Moreira (PSC), que concorreu a vice-prefeita do empresário Eduardo Japonês (PV) está entre os denunciados.
O FOLHA DO SUL ON LINE entrevistou um experiente policial, que participa das investigações e que, sob a condição de anonimato, explicou: “A Polícia Federal não segue o calendário eleitoral. Nosso trabalho é baseado em fatos, que poderiam ter acontecido antes ou depois das eleições. Uma coisa não tem nenhuma relação com a outra”.
Embora não mencione os detalhes da empreitada que resultou nas prisões, o agente da PF sugere, com sua declaração, que antes do pleito as provas contra os acusados não eram tão robustas. Se os suspeitos com mandatos fossem presos apressadamente, sem a comprovação concreta dos atos criminosos atribuídos a eles, todos poderiam se livrar de condenações. “Aí, só os ‘laranjas’ iriam pagar”, resume o investigador.
O ESTOPIM
A implosão do esquema começou com a prisão, em flagrante, do vereador José Garcia (DEM), em poder de quem estavam contratos de compra de imóveis que, na verdade, seriam as provas da propina.
O trabalho de investigação prossegue e, com base em depoimentos de “laranjas”, outros parlamentares podem ser presos pelo mesmo crime.