Uma brasileira morreu em Corumbá, cidade a 440 quilômetros de Campo Grande, após fazer três cirurgias plásticas em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia. A família informou à Polícia Civil que uma mulher de 56 anos teve complicações logo depois da operação, e decidiu-se pela transferência em um avião com UTI até Rondônia, onde moravam. A morte ocorreu no aeroporto internacional de Corumbá no dia 5 de julho, mas o caso só foi divulgado à imprensa pela polícia nesta quinta-feira (14).
Corumbá faz parte da rota aérea entre os dois países. A brasileira foi à Bolívia para fazer operações plásticas faciais, no abdômen e nos seios, de acordo com informações da família prestadas à polícia. O delegado Jeferson Rosa Dias relatou ao G1 que a irmã, que a acompanhou até o país vizinho, disse que a mulher teria omitido dos médicos bolivianos que era hipertensa. Além disso, não teriam sido realizados exames pré-operatórios, que apontam se o paciente tem ou não restrições clínicas para realizar o procedimento.
A Polícia Civil solicitou laudo necroscópico para apontar as causas da morte da brasileira. Rosa Dias afirma que aguarda os resultados periciais nos próximos dias para decidir se arquiva o inquérito ou pede o indiciamento do médico boliviano - nesse caso, ele estuda pedir intervenção das autoridades policiais da Bolívia e do Brasil.
A cidade de Santa Cruz de La Sierra é conhecida por oferecer cirurgias com preços atrativos - entre 50% e 70% mais baixos do que os praticados no Brasil, estima a polícia. A mulher residia em Vilhena, cidade a 700 quilômetros de Porto Velho.
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A incrível história da vilhenense dada como morta após cirurgia na Bolívia
Com servidora ainda na UTI, familiares vivem momentos de angústia
O drama da família Tavares, que há muitos anos reside em Vilhena, teve início na última terça-feira (28), quando uma irmã da servidora pública Eunice Lemos Tavares, de 56 anos, recebeu um telefonema de médico boliviano, avisando ela havia falecido. A funcionária pública havia se submetido a uma cirurgia estética, no município de Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia.
Segundo a filha de Eunice, a advogada Rosângela Lemos, de 34 anos, o médico que realizou o procedimento relatou aos familiares que a cirurgia havia sido um sucesso, mas Eunice teria tido complicações pós-cirurgia e, devido a uma insuficiência respiratória, o cérebro dela teria parado de oxigenar, o que teria causado sua morte cerebral.
Rosângela contou que, em conversa com o médico boliviano, os familiares disseram que iriam para o país vizinho tratar da questão funerária. O profissional de saúde teria dito à família para não se preocupar, pois a clínica se responsabilizaria pelo traslado do corpo até Vilhena.
Na quarta-feira (29), depois que a imprensa local já havia divulgado a morte da funcionária pública e os parentes já se preparavam para o velório, uma nova ligação informou à família que Eunice não havia morrido, mas estava internada na UTI.
Rosângela disse que entraram em contato com o médico de Eunice na Bolívia, e ouviram dele que embora o coração dela estivesse batendo, não havia mais atividade cerebral, e que os sinais vitais apresentados pela paciente são somente em virtude dos aparelhos que a mantém respirando.
No entanto, ele acrescentou que novos exames serão feitos para comprovar, ou não, a morte cerebral.
Rosângela disse que a família está esperando os resultados dos novos exames para poder decidir o que fazer.
A advogada contou que uma irmã de Eunice viajou para a Bolívia para auxiliar o marido dela, que a acompanha. “Ele está muito fragilizado e angustiado devido aos acontecimentos”.
Eunice chegou a Santa Cruz de La Sierra na manhã da quinta-feira (23). Sua cirurgia estava marcada para o dia seguinte, mas foi adiada porque o cirurgião realizou na quinta uma operação numa paciente, também Vilhenense, que durou 12 horas e achou por bem dar um intervalo entre uma e outra. Assim remarcou para a segunda-feira (27) o procedimento cirúrgico de Eunice.
Teria sido a acompanhante dessa outra paciente Vilhenense que alertou o marido de Eunice que ela ainda estava viva.
Os familiares estão desnorteados e angustiados com a situação. “O que podemos fazer agora e esperar até que saiam os resultados dos exames para podermos tomar decisões”, disse Rosângela.