O prefeito Zé Rover (PP) bem que tentou cumprir o prometido e iluminar a BR 364 na noite de réveillon, mas esbarrou na intransigência da Eletrobrás. Mesmo com uma ordem judicial que lhe dá prazo de cinco dias para ligar a rede que acompanha a rodovia no perímetro urbano da cidade, a estatal decidiu recorrer da liminar concedida pelo juiz Adresson Cavalcante Fecury, concedida na manhã desta terça-feira.
Para tentar fazer valer a ordem do magistrado, o prefeito se reuniu com a direção da Eletrobrás na cidade. Como o representante da companhia, Antônio Gonçalves, o “Toninho da Ceron”, não tinha autonomia para decidir sobre o início dos serviços de energização, ligou para os superiores, em Porto Velho.
Da capital, por telefone, veio a resposta, ouvida por Rover no escritório da empresa: enquanto ia providenciando a equipe, que viria de Cacoal, para executar o cumprimento da ordem judicial, a Eletrobrás recorreria ao Tribunal de Justiça para derrubar a liminar.
O que motiva a estatal a não querer ligar a rede de energia, que é uma das obras mais importantes da atual administração é uma dívida de mais de 20 anos que o município deixa de quitar. Atualmente, segundo assessores de Rover, o débito está na casa dos R$ 53 milhões de reais. O prefeito até fez uma proposta para quitar a pendência, que sem juros e correção, cairia para R$ 17 milhões, que seriam parcelados em 10 anos. A credora bateu o pé e disse que aceitaria o parcelamento, mas a conta é outra: R$ 33 milhões.
Rover argumenta que a antiga Ceron, atual Eletrobrás, está sendo inflexível, já que seu Governo está mantendo em dia toda a energia que os órgãos municipais consomem. Através da criação de uma taxa, que à exceção das famílias de baixa renda, o mandatário tem conseguido ao menos não deixar a conta aumentar.
Diante do impasse, ninguém tem mais certeza da data em que a BR sairá das trevas. Caso a Eletrobrás revogue a liminar, o caso tende a se prolongar. Sendo mantida a decisão provisória, na terça ou, no mais tardar, na quarta-feira da semana que vem, tudo fica às claras num trecho de estrada federal que, justamente por estar no breu, vem causando vários acidentes, muitos com mortes.