“Você acha que eu não gostaria de atender os servidores e virar ‘rei” entre eles?”
O FOLHA DO SUL ON LINE entrevistou, por telefone, no início da noite de ontem (terça-feira, 03), o prefeito de Vilhena, Eduardo Japonês (PV), que se manifestou pela primeira vez, diretamente, sobre a greve dos servidores municipais deflagrada esta semana. A categoria exige a implantação de um Plano da Cargos, Carreiras e Salários (PCC). Entenda aqui.
Japonês disse que respeita o sindicato e o direito de greve da categoria, mas foi taxativo: não dispõe de recursos orçamentários e financeiros para atender o pedido. “Na campanha, eu prometi que, se fosse possível, o PCCS seria implantado. Você acha que eu não gostaria de atender os servidores e virar ‘rei” entre eles? Claro que gostaria, mas eu tenho responsabilidade com as contas públicas”.
Ao explicar porque não terá como cumprir a promessa, o mandatário revelou: “no ano que vem vamos ter um rombo de R$ 15 milhões no orçamento. Para atender os servidores, mesmo que fosse muito menos do que eles estão pedindo, eu teria que tirar de outras áreas, como Saúde, programas sociais e Obras. Temos muitas obras de asfalto para executar ainda. Não posso fazer o que eles pedem”.
Eduardo disse que, antes da deflagração da greve, ele chegou a acenar com a possibilidade de repor as perdas salariais do segmento, mas a oferta teria sido recusada. O prefeito também avaliou que o impacto do PCCS nas contas municipais chega a quase R$ 30 milhões por ano. “Respeito os servidores, mas eles precisam entender que estamos num momento de crise. Se eu aumentar a despesa agora, o problema estoura lá na frente e eles mesmos serão prejudicados, porque vai começar a atrasar salário”.
Japonês disse que pretende se reunir com os representantes dos grevistas e apresentar dados a eles, a fim de deixar claro que não atende o pleito porque não é possível. “Vamos traçar planos de médio e longo prazos, e melhorar a nossa receita, para que possamos investir no servidor. Mas, neste momento, o que podemos fazer, e eu acho justo, é impedir que eles tenham perdas salariais”.
CORTES E REFORMA
O prefeito disse que sua equipe já está estudando uma reforma administrativa para reduzir cargos e enxugar despesas. “Temos servidores que ganham 5, 6, 7 mil... e outros que recebem um salário mínimo. Precisamos atender primeiro os que precisam mais”, finalizou.
Autor:
Da redação
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 04 de Dezembro de 2019, às 18:39