Em reunião com a imprensa, o governador Confúcio Moura (PMDB) disse que no próximo ano chamará para uma negociação os médicos que não estão cumprindo todas as horas especificadas em contrato.
Segundo ele, a intenção é que os profissionais de saúde que trabalham em consultório particular verifiquem quanto tempo podem ficar à disposição do Estado e devolvam o dinheiro que recebem a mais.
A conhecida "máfia de branco" tem atrapalhado o sistema público de saúde. Muitos médicos se acostumaram a não comparecer aos hospitais durante os plantões e até o momento não houve governador ou secretário de Saúde que os convencesse a trabalhar.
Alguns deles não param de reivindicar melhores condições de "trabalho" e também aumento de salário.
Recentemente o deputado Eurípedes Lebrão (PTN-Costa Marques) disse que somente no Hospital de Base estão lotados 430 médicos. Seria um para cuidar de cada leito. Acontece que o deputado Jesualdo Pires (PSB-Ji-Paraná) afirmou que menos da metade desses médicos comparece ao trabalho. Eles apenas recebem o salário no final do mês.
SIMERO
A situação chega a tal ponto que o próprio presidente do Sindicato dos Médicos de Rondônia (Simero), Rodrigo Almeida de Souza, tem dois contratos com o governo, um de 40 horas e outro de 20, mas não comparece ao trabalho em nenhuma unidade pública de saúde.
Os contratos são legais, porque ele teria tempo para dar expediente nesses horários. Pelo contrato maior os médicos recebem pouco mais de R$ 9 mil. Pelo outro contrato o governo paga pouco mais de R$ 4 mil.
No caso de Rodrigo Ameida, ele foi liberado do trabalho do contrato de 40 horas para atender o Simero. O médico tomou posse no dia 16 de abril de 2007. Acontece que, por conta disso, ele também parou de trabalhar no contrato de 20 horas, cujo termo de posse foi assinado no dia 3 de dezembro de 2009. Nos dois casos ele foi contrato como cirurgião torácico.
Na conversa com jornalistas, Confúcio Moura disse ter enfrentado alguns problemas com determinados médicos no período em que foi prefeito de Ariquemes. "Havia cirurgião que em quatro meses fazia duas cirurgias. Sempre arrumava alguma desculpa para dizer que não poderia operar. Mas vamos chamar os médicos e transformar contratos de 40 horas em 20 efetivamente trabalhadas", explicou.
A maior reclamação dos médicos tem sido o salário, elevado recentemente pelo governo para R$ 9 mil para um contrato de 40 horas. Mesmo assim eles alegam que é pouco, prova disso são as constantes reivindicações de aumento de salário. Por conta disso não cumprem todas as horas contratadas, trabalhando em consultório particular nos horários em que deveriam atender pacientes da rede pública.
Autor:
Nilton Salina
Fonte:
O Observador
Publicado em 26 de Dezembro de 2011, às 13:16